sexta-feira, 17 de novembro de 2006

Nossa lingua portuguesa


Redação feita por uma aluna do curso de Letras, da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco - Recife), que venceu um concurso interno promovido pelo professor titular da cadeira de Gramática Portuguesa.

Redação:

"Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos. O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar.

O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice. De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos.

Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto. Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar. Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto. Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois. Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros. Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta. Estavam na posição de primeira e segunda pessoa do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular. Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas.

Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história.

Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício.

O verbo auxiliar se entusiasmou, e mostrou o seu adjunto adnominal. Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto. Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos.

Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino. O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva".

quarta-feira, 30 de agosto de 2006

Esquema de decisão: o que fazer quando danificar algo em seu trabalho


Sabe aquele equipamento novo que você ligou na tomada de 220V? Ou a máquina do cafézinho que você emperrou? Ou o porta-retrato de cristal que você derrubou da mesa do chefe?
É... situação difícil, né?
Bem, com este conhecido esquema de decisão empresarial, que rola em diversas esquinas digitais por aí, você pode ter uma chance de se safar...

quinta-feira, 17 de agosto de 2006

Troque a água pela cerveja!



Foi comprovado em pesquisa cientifica, que se você beber mais de um litro de água por dia, durante um ano, no final do ano terá ingerido mais de 1 quilograma de coliformes fecais que estão diluídos na água, ou seja, um quilo de merda!
Já bebendo cerveja, você não corre esse risco, uma vez que coliformes fecais não sobrevivem ao processo de produção da cerveja! Por isso, peço que comuniquem a todos que bebem água: essa porra faz mal!
Se não quiserem acreditar, danem-se, continuem comendo merda! Eu, bebedora de cerveja, fiz minha parte e avisei! Quem tiver consciência vai chegar à seguinte conclusão: É muito melhor tomar cerveja e falar merda, do que tomar merda e não falar nada!

terça-feira, 8 de agosto de 2006

Poesia Caipira do Véio


POESIA CAIPIRA


Vô contá como é triste, vê a veíce chegá,
vê os cabêlo caíno, vê as vista incurtá.
Vê as perna trumbicano, com priguiça de andá.
Vê "aquilo" esmoreceno, sem força prá levantá.

As carne vão sumino, vai parecêno as vêia.
As vista diminuíno e cresceno a sombrancêia.
As coisa vão encurtano, vão aumentano as orêia.
Os ôvo dipindurano e diminuíno a pêia.

A veíce é uma doença que dá em todo cristão:
dói os braço, dói as perna, dói os dedo, dói a mão.
Dói o figo e a barriga, dói o rim, dói o pumão.
Dói o fim do espinhaço, dói a corda do cunhão.

Quando a gente fica véio, tudo no mundo acontece:
vai passano pelas rua e as menina se oferece.
A gente óia tudo, benza Deus e agradece,
correno ligeiro prá casa, procurano o INSS.

No tempo que eu era moço, o sol prá mim briava
Eu tinha mil namorada, tudo de bão me sobrava.
As menina mais bonita, da cidade eu bolinava.
Eu fazia todo dia, chega o bichim desbotava.

Mas tudo isso passô, faz tempo ficô prá tráis
as coisa que eu fazia, hoje num sô capaiz.
O tempo me robô tudo, de uma maneira sagaiz.
Prá falá mesmo a verdade, nem trepá eu trepo mais.

Quando chega os setenta, tudo no mundo embaraça.
Pega a muié, vai pra cama, aparpa, beija e abraça,
porém só faz duas coisa: solta peido e acha graça

quinta-feira, 3 de agosto de 2006

Sanguessugas serão perdoados


Os políticos, funcionários e empresários envolvidos no escândalo das ambulâncias, denominados sanguessugas, serão todos perdoados. É o que garante o Pastor João Entregue do Céu Caído, da Igreja Nova Gente de Deus S.A. Segundo o religioso, doar ambulância é tão divino que não interessam os meios, origens e falcatruas.



O Monge budista Yunda discorda e afirma: suas essências irão se desfazer em gotículas de merda que se espalharão pelo universo e serão tragadas por um buraco negro.



Padre Tuquinha ameniza: eles serão condenados por Deus, mas, caso se arrependam, podem alcançar o perdão com uma leve penitência de 2 anos sem caviar.



Seu Antunes, espírita kardecista, profetiza: nesta vida vão se safar, mas na próxima nascerão pobres, negros, nordestinos e favelados.



Encerrando a polêmica, Dona Filá, sábia e infalível mãe de santo do interior baiano, garante: vão todos pros quintos do inferno.

quarta-feira, 2 de agosto de 2006

Tião disse...


Tião é Catador de Papelão e Latas de Alumínio das calçadas asquerosas do Centro do Rio e será nosso colaborador no Plebeblog. Ele costuma dizer aos parentes que trabalha no ramo da reciclagem industrial, para impressioná-los nas cartas enviadas para Aracajú, sua terra natal.

Eu o conheci enquanto vomitava num fim de noite destes da Lapa, sobre um monte de jornal. Para minha surpresa, Tião estava debaixo deste monte informativo, esperando terminar a esbórnia alheia para catar seu ganha-pão pelas lixeiras e sarjetas cariocas. Para minimizar o acontecido, o convidei para o café da manhã, que se constituiu em umas 8 doses de cachaça coquinho com ovo colorido. e foi então que descobri Tião... não vou adiantar, mas vocês verão aqui no blog como este filosocioantropólogo plebeu tem umas tiradas de emocionar o falecido Betinho.
Plebeblog será isso: filosofia de calçada, humor do miserável e ironia do descrente... mas tudo com aquela maldita mania brasileira de não perder a esperança...
Inté

terça-feira, 1 de agosto de 2006

Apresentação


Todo pobre é filósofo da dor, é poeta do sofrimento e testemunho da injustiça. Mesmo o rico que um dia foi da plebe, sente um sopro na consciência enquanto consome seu salmão. Os dois tem como herança comum a Sabedoria da Plebe, que passa pelas gotas de suor, pela lembrança do soluçar da desesperança, pelo ecoar dos roncos de um estômago insatisfeito.
Foi daí que nasceu o PLEBEBLOG. Vamos valorizar e difundir o olhar Plebeu, a sua crítica incontestável, o seu poder de desmascarar o óbvio disfarçado. Vamos eliminar a falsidade das aparências coloridas e, em suma, atirar incessantemente quilos e quilos de detritos digestivos humanos contra as hélices do aparelho destinado a produzir vento!