sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Um novo Estadão?



O conservador e às vezes enigmático Estadão, o jornal mais tradicional (1875) de SP, nunca escondeu o seu alinhamento com a direita. Foi udenista, apoiou o golpe militar (e a ditadura civil de uniforme, até pelo menos 1968), e levantou bandeiras pelo neo-liberalismo - ao contrário da Folha que, contra todas as evidências, sempre manteve uma aura de progressista.

Na última eleição, o Estadão foi apenas um "house organ" da campanha de Alckmin, com um banho de parcialidade e matérias tendenciosas. É do Estadão a pior reportagem das eleições (25/09, Carlos Marchi), em que, numa interpretação equivocada das pesquisas, afirmava que negros e nordestinos seriam menos éticos que brancos e moradores do Centro Sul.

Mas alguma coisa aconteceu. Mudou a diretoria, mas manteve editores independentes, como Luis Zanin (que gritou recentemente contra a fascistização da cultura brasileira), e Daniel Piza, e hoje já consegue fazer um jornalismo bom.

Foi o Estadão o jornal que mais se cuidou em não fazer acusações precipitadas no trágico acidente da TAM. Acertou a mão: deixou que a Folha de SP fizesse a cobertura mais desastrada entre todos os grandes jornais brasileiros.

Esse editorial mostra um pouco a nova linha do Estadão: ainda conservador, porém justo. Por isso, hoje, podemos discordar de suas posições, mas não de seu jornalismo.

Obs. Informações adicionais sobre o texto abaixo: O Brasil tinha 35% de miseráveis antes do governo FHC. O governo tucano conseguiu reduzir nos primeiros quatro anos a pobreza para 28%. No governo atual, a pobreza caiu de 28 para 22%. Os dois fizeram pelo país nesse ítem. Esse percentual que resta é o que recebe o bolsa-família.


"O Brasil do Bolsa-Família
Parafraseando um sucesso de Frank Sinatra, de 1957, I have plenty of nothing, o presidente Lyndon Johnson comentou amargamente, em defesa do movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos, que os negros americanos tinham muito de nada - e nada era muito para eles.


No Brasil, se dizia algo parecido: “Para quem é, bacalhau basta.” (À época, o pescado custava uma fração do que custa hoje.) É o que vem à mente quando se lêem, no Estado de ontem, as palavras de Conceição Soares da Silva, mulher de um pedreiro incapacitado, mãe de 5 filhos, moradora do paupérrimo Jardim Elisa Maria, no extremo norte paulistano.

“Se não fosse esse dinheirinho, a gente passaria fome”, diz ela dos R$ 225 mensais que recebe, parte do Bolsa-Família (R$ 75), parte do Renda Mínima, da Prefeitura de São Paulo.

Conceição está entre os 42,5 milhões de pessoas que formam a parcela mais pobre da população - algo como 22% do total. Ela também está entre os 45,8 milhões assistidos pelo Bolsa-Família, o equivalente a 24,1% dos brasileiros, ou 1 em cada 4.

O alcance desse que é um dos maiores programas de transferência de renda do mundo é uma das informações constantes do Perfil das Famílias Beneficiárias do Bolsa-Família, divulgado na terça-feira pelo Ministério do Desenvolvimento Social, responsável por sua execução.

O documento impressiona não apenas por revelar a amplitude a que chegou o programa em um punhado de anos e a sua focalização em geral adequada - uma proeza nada desprezível considerando a extensão do território coberto, o formidável contingente alcançado e o histórico brasileiro de monumentais desvios de verba no assistencialismo tradicional.

Recente estudo do Ipea, por sinal, concluiu que 80% dos quase R$ 8,8 bilhões desembolsados pelo governo aliviam efetivamente a situação dos 40% mais pobres entre os brasileiros. E, desde o advento do programa, a concentração de renda diminuiu 4% no País.

Tais dados, porém, remetem apenas à ponta do iceberg do problema que deu origem a projetos do gênero no País, cujos pioneiros foram o falecido prefeito tucano de Campinas José Roberto Magalhães Teixeira e o governador então petista do Distrito Federal Cristovam Buarque.

O relatório do Ministério, nesse sentido, suscita dois tipos de cogitações. O primeiro é que ser pobre em países como o Brasil - para não falar dos Estados falidos da África e do subcontinente indiano - é muito diferente do que ser pobre nas nações ao mesmo tempo mais desenvolvidas e menos injustas.

Numa Alemanha, por exemplo, ser pobre é ganhar menos euros do que os outros e, obviamente, consumir menos do que eles. Já aqui, é ser também iletrado ou analfabeto funcional, como são, no primeiro caso, 16% dos responsáveis legais pelo recebimento do benefício, e 40% deles, no segundo.

É não ter acesso a bens públicos elementares nos dias atuais, como o esgoto tratado que falta a aproximadamente 2/3 das famílias incluídas no Bolsa-Família - e isso apesar do fato de o cliente típico do programa morar em cidades (69,2% do total).

A outra reflexão provocada pelo estudo do governo é a que se relaciona mais de perto com a frase do presidente Johnson, citada no início deste texto. Tão severa e tão múltipla é a penúria da população da base da pirâmide social brasileira que a ninharia proporcionada pelo programa assistencial é como se fosse uma cornucópia para os seus desvalidos receptores.

A bolsa se destina a famílias com renda mensal per capita inferior a R$ 120. (A cada mês, informa a área federal, entram e saem do programa cerca de 50 mil famílias. Saem ou porque estavam indevidamente inscritas, ou porque não mantiveram os filhos na escola, a principal das contrapartidas exigidas, ou porque passaram a ganhar mais do que aquele teto.)

O valor do ajutório varia de R$ 18 a R$ 112; em média, é de R$ 72, ou menos do que a quinta parte de um salário mínimo. Mas isso é o quanto basta para sustentar a extraordinária popularidade do presidente Lula.

Nem todos os bolsistas são necessariamente lulistas. Existem os que nem sequer sabem de onde vem o dinheiro. Mas o desempenho eleitoral do presidente no Nordeste decerto guarda íntima relação com o fato de que ali vive praticamente a metade dos destinatários do programa."

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Vida humana: dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três



Diante da morte de Elizângela Ferraz, vítima do caos que impera na Saúde Pública brasileira, fica para nossa reflexão estes questionamentos:

Quanto vale exatamente uma vida?
- para o Estado, em suas esferas municipais, estaduais e federais, que batem recordes mensais de arrecadação de impostos...
- para profissionais que, entre as diversas formas de reivindicarem aumento, inserem a não-realização de cirurgias em pacientes que delas dependem para viver...
- para a ampla gama de pilantras travestidos de gestores públicos, congressistas, magistrados, e empresários que surrupiam, fruto da corrupção, dinheiro suficiente para inúmeras cirurgias.

Pra deixar os puristas de cabelo em pé


Isso é pra deixar os puristas de cabelo em pé, qualquer purista.

Vocês lembram dos discursos inflamados de Eduardo Paes, no PSDB, na época das CPIs?

Leiam agora o Ancelmo...

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"As voltas que...

Veja só como a linha entre governo e oposição é tênue em alguns momentos na política. O tucano Eduardo Paes dia desses, numa cerimônia com Lula no Rio, agradeceu o presidente por salvá-lo pela segunda vez. A primeira foi quando ele liberou dinheiro para as obras do Maracanã no Pan; a segunda seria na eleição municipal de 2008.
Candidatíssimo, Eduardo espera que Lula impeça Sérgio Cabral de se aliar a Cesar Maia na sucessão municipal ano que vem, o que dificultaria sua candidatura."

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È por isso que há três motivos pelos quais não devemos nos matar:

1. Mulher
2. Política
3. Futebol.

hehehe

domingo, 19 de agosto de 2007

Phillips contratou indignação de Ivete Sangalo


Musa da música bahiana adere ao movimento Cansei, da elite paulista, depois de assinar campanha da Phillips - principal empresa envolvida no movimento.

(A brincadeira critica com o título é minha. Em nenhum momento, a matéria original traz essa afirmação).

(notícia publicada há 15 dias)
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"A Philips anuncia que contratou Ivete Sangalo para representar a marca em sua comunicação no Brasil. A imagem da cantora será associada a todas as áreas de atuação da Philips, tais como saúde, estilo de vida e tecnologia. O contrato deve se estender até 2010. Segundo Paulo Zottolo, presidente da Philips para América Latina, "são muitas as razões que nos levaram a pensar em Ivete Sangalo neste momento. Ivete é uma pessoa muito admirada por todos os brasileiros, tanto por sua música e seu carisma, como também por seu entusiasmo, profissionalismo e credibilidade. Ela transmite valores muito similares aos da marca Philips, como simplicidade e energia, e possui forte conexão com o público".
Uma pesquisa realizada em abril de 2007, pelo Research International, mostrou que Ivete Sangalo seria a personalidade brasileira com mais afinidade para a mensagem que a marca quer passar. "Isso porque a cantora é reconhecida por ser uma personalidade famosa, mas que não se esqueceu dos valores humanos", finaliza Zottolo.
A primeira campanha com Ivete Sangalo, que leva a assinatura da agência de publicidade Africa, ainda está em fase de produção, está prevista para o final de agosto, e incluirá anúncios em revista e internet, além de materiais em ponto-de-venda."
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Uma semana depois, Ivete Sangalo passa a apoiar o movimento Cansei, da elite de São Paulo.

Deve-se atentar para um segundo fato interessante: a agência responsável pela campanha de Ivete à frente da Phillips é a Àfrica, de Sérgio Gordilho, que produziu as propagandas do Cansei.

Aviso aos navegantes: Ivete também faz parte do elenco da Universal Music, da Phillips.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Caso dos atletas cubanos


No açodamento de denunciar uma suposta "operação comunista" por parte do governo, o editorial da Folha de São Paulo fala em "deportação", "prisão incomunicável", só faltando citar a possibilidade de fuzilamento.

Mas os atletas cubanos segundo a própria Folha apenas se entregaram.

Ou seja, o editorialista não leu o próprio jornal. Comparem:


Editorial
“Existe a possibilidade teórica de que tudo não tenha passado de uma operação rotineira de repatriamento. Esse seria o caso se os atletas cubanos de fato desejavam voltar para seu país, como alegam as autoridades brasileiras. As circunstâncias da deportação, entretanto, fazem dessa hipótese uma espécie de conto da carochinha.
Impressiona, em primeiro lugar, o açodamento da operação. Depois de desertar da delegação cubana no meio dos Jogos Pan-Americanos, os pugilistas foram detidos na sexta-feira no litoral do Rio de Janeiro por estar sem documentos. Foram mantidos incomunicáveis e, no domingo, já se encontravam em Havana, aonde chegaram num vôo especialmente fretado. Logo foram enfiados numa "casa de visita", eufemismo da ditadura cubana para prisão”.
Reportagem
"Eles se entregaram", diz dono de hotel no Rio” , de SÉRGIO RANGEL, ENVIADO ESPECIAL A ARARUAMA (RJ), na mesma edição da "Folha"
Dono da Estalagem Pirata, Reinaldo Sá Forte disse ontem não acreditar que os boxeadores cubanos foram presos pelos policiais militares na tarde do dia 2 em Araruama (115 Km do Rio). O proprietário da pousada afirmou acreditar que os atletas pediram ajuda aos policiais para voltarem ao país.
"Eles eram bem discretos. Na quinta, os dois saíram para almoçar e voltaram com a polícia. Em nenhum momento os policiais disseram que os cubanos tinham sido presos. Eles chegaram sem algemas, foram aos seus quartos, pagaram a conta daqui e foram embora com os policiais. A impressão que tive era que os dois queriam voltar para casa. Até as malas deles já estavam prontas. Na verdade, eles se entregaram", disse Forte, que alugou cada quarto da modesta pousada por R$ 50 por dia para cada atleta. O hotel fica localizado na praia Seca, região turística do município”

NQSPS II: Cursos profissionalizantes

....................................................................................................................................................(O que é NQSPS?)
Quem é pai e mãe sabe: é um desespero ver um filho desempregado e sem esperanças. Causa um nó na garganta, misturado com uma angústia no peito, ver nossa cria voltar tristonha, depois de horas e horas em uma fila de entrevista de trabalho. Junto com a dor vem aquele sentimento de impotência por não podermos colocar um sorriso naquele rostinho que amamos desde o primeiro olhar na maternidade.
Esta postagem do "Não Quero Ser Pobre pra Sempre" não vai trazer fórmulas mágicas, mas pretende “dar um toque” nos queridos pais em relação a um aspecto que pode aumentar as chances do seu filho na hora de procurar o primeiro batente.

Cursos Profissionalizantes

Pais: convençam seu filho a matricular-se em um Curso Profissionalizante.
Antes de mais nada, deixo claro que meu desejo e, certamente, o seu, é que seu filho e filha completem os estudos do Ensino médio (antigo “Científico”), entrem para uma universidade pública, se formem na graduação que desejarem, sejam profissionais de sucesso e tenham sogras carinhosas. Mas, como eu disse no mês passado, o NQSPS não é para pais de jovens que fazem beicinho se o primeiro carro não for de um modelo importado. O NQSPS é para quem está “ralando” com as dificuldades do “salário que falta no mês que sobra”, para fazer a vida do filho um pouco melhor do que foi a sua. E nós sabemos muito bem que para comer caviar temos que antes mastigar pedras.
E uma forma de ter como mastigar as primeiras pedras é mergulhar nos tais cursos profissionalizantes que por aí estão. E vamos falar dos “0800”, dos “free”, dos “no amor”, ou seja, dos cursos gratuitos, pois, de graça, até beijo de sogra é doce.

Recofiat
- é um programa do qual faz parte uma escola de capacitação montada pelas concessionárias da FIAT no Rio. Fica no Caju e oferece formação em eletromecânica (para jovens de 15 a 16 anos de idade), pintura e lanternagem (18 a 24 anos). Ao fim do curso há um estágio remunerado e, segundo o coordenador do projeto, 70 % dos alunos são contratados. Informações: Rua Carlos Seidi, 1141, Caju,Tel.: (21) 2580-7662.

ONG Obra Social
- o Programa “Casas de Capacitação” oferece, gratuitamente, às pessoas a partir de 16 anos, oportunidade de aprender um ofício, em cursos profissionalizantes rápidos e úteis, e a sobreviver com renda própria. Veja os endereços de algumas casas:

- Casa de Irajá
Tel.: 2471-6578 . Endereço: Estrada Pedro Borges de Freitas, 144 - Irajá - 21235-390
Cursos: Ass. de Cabeleireiro Básico; Ass. de Cabeleireiro Avançado; Cabeleireiro Módulo III; Manicure e Pedicure; Modelagem, Corte e Costura Básico; Modelagem, Corte e Costura Intermediário; Bolsas; Artesanato em Biscuit; Telemarketing;
Instalações Elétricas Residenciais; Sanduíches e Pastas; Bolos e Tortas; Salgados para Festas; Doces para Festas.

- Casa de Ramos
Tel.: 2260-1614. Endereço: Rua Professor Lacê, 57 - Ramos - 21060-120
Cursos: Ass. de Cabeleireiro Básico; Ass. de Cabeleireiro Avançado; Cabeleireiro Módulo III; Manicure e Pedicure; Artesanato em Biscuit; Artesanato em Biscuit Avançado; Artesanato em Jornal; Instalações Elétricas Residenciais; Elétrica de Automóveis; Refrigeração; Tortas Salgadas; Confeitagem Básica; Sorvetes; Tortas Geladas.

Um detalhe importante: não deixem que seus filhos abandonem a escola para fazer o curso profissionalizante. Procure aqueles cursos cujo horário permite conciliar as duas coisas. A dupla estudo-trabalho é vitoriosa. Seu filho pode se tornar um bom mecânico e garantir seu ganha-pão, mas o que nós queremos é que, trabalhando como mecânico, ele continue estudando e venha a ser um Engenheiro Mecânico, certo? Por isso, incentive seu filho a pensar alto: o sonho só é sonho até o momento em que o tornamos realidade.

Caso tenha alguma dúvida, necessite de orientação ou queira sugerir um tema para as próximas postagens, escreva para oeditorrr@gmail.com, ou publique em "comentários".

Para terminar:

Filhos: leiam o que escrevi acima e obedeçam a seus pais.

Obsv: publiquem nos "comentários" dicas de outros cursos em suas cidades.

NQSPS I: O Pré-vestibular comunitário

..........................................................................................................(O que é NQSPS?)
Pais: convençam seu filho a matricular-se em um Pré-vestibular comunitário.

Os pré-vestibulares comunitários estão normalmente ligados a projetos sociais e são voltados para jovens de menor poder aquisitivo (o termo “jovem” aqui empregado pode ser utilizado para pessoas dos 15 aos 90 anos: juventude é um estado de espírito...). A maioria dos professores trabalha em caráter voluntário, recebendo apenas uma ajuda de custo para a passagem, o que configura um envolvimento pessoal destes profissionais com o sucesso de seu filho.

Os custos são baixos, podendo ir de “0800” a R$ 35,00 por mês e, apesar de gratuito ou barato, a qualidade muitas vezes será semelhante à de muitos cursos pré-vestibulares pagos a preço de picanha nobre.

Outro aspecto positivo: seu filho estará em contato com outros jovens que buscam progredir, que almejam um futuro melhor, ao invés de passar a tarde ou noite simplesmente discutindo qual será o destino da personagem Tal da novela das oito ou qual o próximo eliminado do Big Brother Brasil. Além das aulas preparatórias aos vestibulares, ele receberá dos professores, e discutirá com os colegas, informações sobre acesso à universidades públicas por cotas, concursos públicos, oportunidades de empregos, etc. Enfim, seu filho estará vivenciando um ambiente sadio e voltado para perspectivas responsáveis de progresso. Até mesmo na hora da farra com esta turma, após as aulas, tenha certeza, @ senhor@ estará mais tranqüilo@. Em ambiente onde reina a boa intenção, dificilmente surgirá a má ação. Creio que dificilmente irão espancar empregadas domésticas...

Uma sugestão de pré-vestibular comunitário (confirmem as informações por telefone):

Pré-vestibular Humanista na Escola Politécnica da UFRJ: Taxa semestral de R$ 40,00. Informações: Consuelo Magalhães (3231-2656) e Valéria Veríssimo 3231-2662.

Pré-Vestibular Comunitário de Oswaldo Cruz: Inscrição aberta até fevereiro, das 9h às 21h, na Rua Cananéa 143, Oswaldo Cruz. Não há taxa. A mensalidade é R$ 15. É realizada uma entrevista. Telefone: 3350-2993. Email: mailto:cccp.pportela@ibest.com.br./

EDUCAFRO: é realizada uma reunião de "acolhimento" no Teatro João Caetano, Praça Tiradentes. Depois ocorrem reuniões às quintas-feiras, às 10h, 15h e 18h, na Praça Tiradentes 73, 5º andar. Os interessados são encaminhados para um dos 57 núcleos da Educafro. São cerca de três mil vagas. A mensalidade custa, no máximo, R$ 35. Telefones: 2510-2066 e 2509-3141, das 8h às 18h.

Você poderá encontrar outros cursos comunitários em instituições religiosas, ONGs e universidades. Caso tenha alguma dúvida, necessite de orientação ou queira sugerir um tema para os próximos meses, escreva para oeditorrr@gmail.com .

Para terminar:

Filhos: leiam o que escrevi acima e obedeçam a seus pais.

Obsv: quem conhecer algum pré-vestibular gratuito ou de baixo custo em sua cidade, publique nos comentários, valeu?

Não quero ser pobre pra sempre


Antes de qualquer coisa, quero deixar bem claro que este bate-papo que pretendemos iniciar em nossa seqüência de “Não quero ser pobre pra sempre” (NQSPS) é direcionado para quem nasceu em “berço de palha”. Quem nasceu em berço de ouro já tem 50% de seus problemas resolvidos: boas escolas, alimentação de primeira qualidade, plano de saúde ilimitado, transporte escolar na porta, computador de última geração no quarto, cursinho de inglês, pré-vestibular de altíssimo nível, mesada farta enquanto estudar, trabalho garantido no escritório do amigo do pai, viagens de estudo ao exterior, carro de presente aos 18 anos e, nos momentos de crise, um terapeuta e uma viagem aos EUA para aliviar o estresse.

Nada contra. Aliás, o que todos queremos é proporcionar um berço de ouro, ou ao menos de prata, aos nossos filhos. Gostamos de dinheiro, certo? Queremos passar férias em nossa casa de praia, muambar em Paris, relaxar em Bilbao e assistir a Portela (“Ahh, minha Portela...quando ví você passar...”) ser campeã, instalados em um camarote abarrotado de familiares e muita comida.

MAS, por enquanto, vamos tocando a bola no meio de campo para um dia definirmos a partida. “Não quero ser pobre pra sempre” tratará, a cada mês,. de temas que auxiliem você, PAI/MÃE e você, JOVEM, a caminharem juntos na busca de opções que ajudem a melhorar o nível de vida da sua família. Mas não se assuste, pois não falaremos de teorias, correntes, jogos de azar, simpatias, nem assemelhados.

O primeiro “Não quero ser pobre pra sempre” se destina aos pais com filhos que estão concluindo ou concluíram o Ensino Médio (antigo Científico) nas Escolas Públicas: o Pré-vestibular comunitário.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Os neocansados


Lembo foi o primeiro a espinafrar com o movimento de dondocas. Agora é a vez do articulista da Folha.


Como bem observou o ex-governador paulista Claudio Lembo (DEM), deve ter soprado de Campos de Jordão, meca fria da breguice endinheirada de São Paulo, os novos ventos da campanha "Cansei", capitaneada pela camada superior da "elite branca" sulista.
Empresários e mauricinhos paulistas acostumados a restaurantes na rua Amauri e Vila Nova Conceição, com suas adegas climatizadas, contas surreais e garçons servis, finalmente se dizem cansados da "impunidade", do "descaso", das "balas perdidas".

O movimento é capitaneado pelo Comitê de Jovens Executivos da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e pelo "sr. Riquinho", o empresário João Dória Jr.

Nos últimos dias, Dória recebeu em Campos do Jordão várias eminências tucanas, entre elas Geraldo Alckmin, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador José Serra. "Não somos oposição. Somos pelo resgate da solidariedade. O movimento está ultrapassando fronteiras e se expandindo por toda a sociedade", disse Dória sobre o "Cansei". De fato, nas periferias paulistanas e nos morros do Rio, não se fala de outra coisa. Tá todo mundo cansado.

Segundo noticiou o Painel, da Folha, devido à grande concentração de paulistanos endinheirados em suas fileiras, o "Cansei" já ganhou o apelido de "Movimento Oscar Freire", em referência à rua paulistana que reúne as lojas mais caras, os menores cachorros e a maior quantidade de homens com gel no cabelo na cidade.

É difícil avaliar do que essa gente está falando. Afinal, no dia a dia o Brasil não está muito diferente, nem muito melhor, ou pior, do que nos anos FHC, quando o ex-presidente se orgulhava do fato de sua empregada poder passar férias fora do Brasil.

O juro das aplicações continua gordo, o capitalismo capenga, o que permite margens gordas, e a Oscar Freire e Campos do Jordão caras o suficiente para que esse pessoal possa se sentir ainda mais rico.

É bem capaz que o "Cansei" também acabe atraindo boa parte da classe média "quero-ser-emergente" do carrão à prestação. Antes de reclamar, porém, os neocansados talvez devessem se perguntar o que têm feito para além da redoma blindada do mundo em que vivem. Alguém já disse que a melhor maneira de se avaliar uma classe dominante é dar uma boa olhada em sua periferia, na situação de quem a serve a troco de salários e trabalho.

Para isso, não é preciso sequer sair de Campos do Jordão.

As dez lições dos últimos tempos


1) Psicanalista bom é psicanalista mudo. E de preferência na clínica.

2) Uma tragédia nunca vem sozinha: ela geralmente é acompanhada da cobertura da imprensa.

3) Mobilização midiática que começa com o verbo \"cansar\" termina logo depois da desinência.

4) Na imprensa, toda indignação depende do interesse do indignado e não da estupidez do fato.

5) Por que jornal não precisa de assessoria de imprensa? Porque o seu principal produto já é um grande house organ.

6) Alguns colunistas mantêm uma dura rotina: usam palavras fortes à tarde, um sorriso largo à noite, e um aperto de mão de manhã: gostou chefinho?

7) Se criticar a imprensa é criticar a liberdade de imprensa, criticar a clínica, é criticar a medicina. Mas isso é apenas uma analogia tola.

8) O Brasil anda meio invertido: temos humoristas pensando que fazem jornalismo, e jornalistas pensando que fazem rir.

9) Aviso aos sociólogos: Critique o governo combatido pelo jornal e ganhe 15 minutos de fama.

10) Deixe aos blogs o pesado fardo da pluralidade...

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Sou Classe Media








A MPB crítica está de volta...

Olhem o que a acusação apressada e simplista faz:



Famílias de pilotos evitam sair e ver notícias


Fabiane
Leite , no “Estadão” de 02 de agosto



Maria
Helena, a mulher do co-piloto Henrique Stephanini Di Sacco, do vôo 3054 da TAM, não quer mais assistir TV, ouvir rádio ou ler jornais depois que ganhou destaque o noticiário sobre possível falha humana como causa do acidente.


'Conclusões sobre o caso têm sido apresentadas apressadamente, antes do fim das investigações. confiamos nas informações passadas por conhecidos da família', disse ela. 'E acrescento que até que, no meu entender, receba informações oficiais, ainda não pensamos em nenhuma providência sobre a divulgação de falha humana, pois a família no momento está à espera da identificação do pai e do marido que nos faz tanta falta', informou ao ser questionada se a família tomaria providências contra as acusações contra o piloto.


Maria Helena, que é conhecida como Milena, responde rápido quando lhe perguntam sobre as possíveis causas do acidente. ' posso falar dos 30 anos que passamos juntos.'
a mãe do outro piloto do vôo, Kleyber Lima, que, segundo a TAM, comandava a aeronave, não anda mais nas ruas e evita conversar sobre o caso. 'A gente recebe com espanto (as notícias). Conhecia bem meu tio, ele tinha mais de 20 anos de experiência. É muito difícil alguém fazer aquilo, você esquecer um manete de aceleração para frente, acho que nem um piloto começando faria isso', afirmou o sobrinho de Kleyber, Sheldon Lima, de 19 anos, que tem permanecido na casa da avó. 'A mãe dele está muito traumatizada, triste em vê-lo acusado por grandes veículos de comunicação. Ela tem idade. Costumava caminhar, fazer tricô. Não caminha mais. Ainda não conseguiu se recuperar. Ela sofre muito, até porque ele era a vida dela e ela, a dele', continuou Sheldon. As duas famílias informaram que têm recebido assistência da TAM desde a data do acidente.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

O discreto charme da burguesia


Um toque de classe. Sabemos que nem sempre as novelas de Manoel Carlos são muito verossímeis.

Um roteiro de diálogos educados e finos. Uma legião do bem prontamente a impedir as maiores maldades. As preocupações existenciais reveladas pelos personagens. A tolerância com os pobres que não moram no Leblon; tudo isso parece paradisíaco demais para ser verdade.

Mas não se pode culpar Manoel Carlos. Suas novelas traduzem um desejo edificante de que nossa elite fosse melhor. De que nossa elite social e econômica fosse como uma linda canção de bossa nova.

Portanto, antes de criticar Manoel Carlos, temos que agradecê-lo por nos poupar na telinha de fatos como a queima de mendigos, o espancamento de prostitutas, e de empregadas domésticas. A ação dos pitboys, ofertando à sociedade terror e ódio contra homossexuais nas ruas de Ipanema.

Se, em Brasília, rapazes da classe média alta se satisfazem jogando bolsas com urina sobre os trabalhadores que esperam seus ônibus nos terminais, isto é real demais para levá-lo ao \"mundo possível\" da telinha.

Porque, da elite, espera-se o bom exemplo.

O Brasil quer ver na televisão uma classe abastada que revele sua disposição de comandar culturalmente o país.

Afinal, é desse grupo social, a elite, que saem os maiores produtores culturais, os diretores de TV, os maiores empresários, os maiores intelectuais.