terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

TR- Cecierj oferece 12,1 mil vagas para Pré-Vestibular Social gratuito

JB Online :: TR- Cecierj oferece 12,1 mil vagas para Pré-Vestibular Social gratuito - 19/02/2008

Cecierj oferece 12,1 mil vagas para Pré-Vestibular Social gratuito

JB Online

RIO - A Fundação Centro de Ciências e Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro - Cecierj - oferece até o próximo sábado 12.100 oportunidades para aqueles que não têm condições de pagar um curso particular preparatório para o vestibular.

Voltado para a população de baixa renda, o Pré-Vestibular Social atende os municípios de Angra dos Reis, Barra do Piraí, Bom Jesus do Itabapoana, Campos dos Goytacazes, Cantagalo, Duque de Caxias, Itaocara, Itaperuna, Macaé, Magé, Mesquita, Miguel Pereira, Natividade, Niterói, Nova Friburgo, Nova Iguaçu, Paracambi, Petrópolis, Piraí, Resende, Rio Bonito, Rio das Flores, Rio de Janeiro (Bangu, Campo Grande, Jacarepaguá, Penha e Santa Cruz), Santa Maria Madalena, São Fidélis, São Francisco de Itabapoana, São Gonçalo, São João de Meriti, São Pedro d' Aldeia, Saquarema, Três Rios e Volta Redonda.

Poderão se inscrever gratuitamente aqueles que completaram ou estejam cursando a última série do Ensino Médio Regular ou equivalente.

As inscrições para o Pré-Vestibular Social, com duração de 9 meses, poderão ser feitas nos pólos e postos regionais, de terça a sexta, das 14h às 19h e aos sábados das 9h às 17h.

Mais informações pelo telefone 0800.282 0636.

O caso Veja: Dossiê



Olá amigos,

Aqui o blogspot do Caso Veja, que vem repercutindo bastante entre jornalistas e leitores, e já conta com versão em inglês.

O Caso Veja

O jornalista Luis Nassif vem compondo um Dossiê de todas as ações escusas da Veja nos últimos anos.

É bem interessante saber como empresários, políticos, jornalistas e pessoas comuns foram chantageadas, pressionadas, difamadas, caluniadas, numa das páginas mais pecaminosas do jornalismo brasileiro.

A série mostra o fato por dentro, o tipo de jornalismo que é praticado naquela que já foi a mais importante revista brasileira (em credibilidade).

A derrocada de credibilidade da Veja já lhe custou 200.000 exemplares,  entre dois e três anos, aproximando-a da segunda colocada Època.

A direção da Veja prometeu processar Nassif. Mas, sem base, preferiu recuar.

Eis um importante documento deste Quinto Poder em que se configurou a web.

A investigação é feita por Nassif, por jornalistas que estão passando informações, inclusive anonimamente de dentro da própria Veja, e de blogueiros bem informados.

A triste história recente da Veja vem dando início à uma incrível história das mídias digitais.

Vale a pena ler. E guardar.

Esperando que algo seja feito para que essa importante revista volte a praticar jornalismo.


Governo Canadense: "prática de tortura nos EUA".



Comentário: Canadá deixou escapar publicamente o conhecimento que tem sobre a prática de tortura nos EUA, mas para "não comprometer vizinho" revisará lista entregue à Anistia Internacional.

Por um descuido de autoridades canadenses, a verdade veio à tona: a violação dos direitos humanos é prática tambem nos EUA. Mas o que é pior: soubemos também que os relatórios da Anistia Internacional geralmente "excluem"  esta citação.


Canadá revisa dossiê que diz que EUA podem praticar tortura

20/01 - 01:40 - EFE
Washington, 19 jan (EFE).- O Ministério de Assuntos Exteriores canadense voltará a redigir um manual de treino usado normalmente por seus diplomatas no qual os Estados Unidos são citados como um país onde os réus correm o risco de ser torturados.
"Lamentamos a vergonha causada pela revelação pública do manual utilizado nos cursos de treino sobre conscientização da tortura", assinalou a agência governamental em comunicado divulgado hoje.

O documento, que destaca a base americana de Guantánamo como local onde os prisioneiros podem ser torturados pelos EUA, também inclui Israel, Afeganistão, China, Egito, Irã, Arábia Saudita, México e Síria como lugares onde os presos podem enfrentar a tortura.

O dossiê "inclui uma lista que equivocadamente contém alguns de nossos aliados mais próximos. Dei ordens para que essa lista seja revisada", assinalou o ministro de Assuntos Exteriores canadense, Maxime Bernier.

Bernier lembrou que o manual não é "um documento político ou uma declaração política, por isso não transmite as opiniões e posições do Governo".

O Governo canadense inadvertidamente entregou o citado documento a advogados da Anistia Internacional que trabalham em um processo sobre o suposto abuso de detidos afegãos por parte das autoridades de Cabul, depois que os presos fossem entregues pelo Canadá.

O secretário-geral da seção canadense da Anistia Internacional, Alex Neve, lamentou que o Ministério de Assuntos Exteriores tenha decidido voltar a redigir o manual. EFE

Febre Amarela: alarmismo está atrapalhando


Comentário: A divulgação dos casos e suspeitas de febre amarela pela mídia é tão alarmista que especialistas (Fiocruz, Ministério, Universidades) montaram uma operação de guerra para apagar o incêndio. Todo dia vem um e tenta acalmar a população.

Manchetes equivocadas que fazem coincidir a febre amarela silvestre com a urbana, que foi erradicada há mais de 50 anos; notícias de casos como se fossem inéditos (a média anual sempre variou ciclicamente entre 10 e 80 casos, incluindo mortes) somadas a um certo viés político da cobertura, estão levando milhares de pessoas a se vacinar sem necessidade, tirando a dose de quem realmente precisa.

A pergunta é: imprensa é para informar ou desinformar?
 
A propósito: A febre amarela silvestre só terminará quando todas as florestas tiverem "erradicadas" no Brasil.


Médico: divulgação de febre amarela é exagerada

O médico infectologista e diretor-clínico do Hospital das Clínicas, Dr. Marcos Boulos, afirmou hoje em entrevista ao TV Terra que a cobertura dos recentes casos de febre amarela pela imprensa no Brasil é exagerada. Segundo ele, todo ano há pequenos surtos localizados de febre amarela com algumas mortes e que isto não deveria ser motivo para alarde. "Em Divinópolis, na região metropolitana de Belo Horizonte, houve há seis anos um surto da doença com 17 mortes que teve divulgação semelhante à atual", comparou.

De acordo com Boulos, haveria motivo para preocupação apenas se a doença evoluísse de sua forma silvestre para avançar sobre as cidades - um tipo de surto que não acontece no Brasil desde 1942, explica Boulos.
Segundo o médico, enquanto nas florestas o ciclo básico da doença se desenvolve no macaco, sendo o contágio dos seres humanos acidental, nas cidades o surto seria pelo Aedes aegypti, o mesmo que transmite a dengue, e o homem seria o hospedeiro preferencial.
Boulos concorda com o Ministro da Saúde, que diz não haver chance de uma epidemia do vírus. "A disseminação da febre amarela nas cidades é uma possibilidade remota porque a cobertura vacinal é muito extensa", adverte.
A vacina, segundo o médico, é constituída de vírus atenuados, sendo possível, portanto, que as pessoas que se vacinam apresentem os sintomas da doença nos primeiros oito dias depois da imunização.
"Após este período, o vacinado está livre por dez anos", conclui.

NYT: o futuro do Brasil é agora



No cenário interno recursos naturais e energéticos e instituições fortes e democráticas para encarar crises políticas; no cenário externo, o crescimento da China e as mudanças na América Latina, fazem do Brasil um dos candidatos à potência.

Eu acrescentaria:  crescimento econômico, combate determinado à fome e à miséria, aumento da ascensão social e mudança na política internacional, com o fim da submissão comercial às grandes potências, são pautas já levadas a cabo.

Faltam vastos investimentos em educação, saúde, infraestrutura e saneamento. Os grandes desafios do próximo triênio.


Publicado no The New York Times.


Artigo - O futuro do Brasil é agora

Roger Cohen
Juan Bautista Alberdi, um constitucionalista e liberal argentino, escreveu em 1837 que "nações, como os homens, não têm asas; precisam atravessar sua jornada a pé, passo a passo". A América Latina, há muito suscetível à miragem utópica de revolucionários e caudilhos e ainda não imune a ela, tem se esforçado para captar a verdade. Mas, como Michael Reid observa em seu novo livro Forgotten continent, democracias de massa têm emergido pela região.
Recentemente, essas democracias têm surgido com uma extraordinária variedade de líderes, incluindo Michelle Bachelet, no Chile; Luiz Inácio Lula da Silva, o metalúrgico que chegou ao governo do Brasil; e a cria-de-caserna Hugo Chávez.
Os resultados são assimétricos. Chávez testou a paciência de todos com uma arrogância movida a petróleo com relação à revolução socialista alada. Mas num passo prosaico, o continente se move em direção à economia global.
Esse progresso chega apesar das enormes desigualdades sociais - que criaram cidades como São Paulo, onde há labirintos de ricos e pobres. Lula chegou ao poder como um reflexo de esperança de que esse abismo pudesse ser transposto, assim como o recente sucesso de Barack Obama e Mike Huckabee reflete uma sociedade faminta por mudança e cansada dos investidores de risco evitando as taxas que todos os cidadãos comuns pagam.
Enquanto caminham, nações também sonham. Democracias são inventivas. Suas imperfeições são muitas, mas também suas renovações e mecanismos. Elas precisam de esperança.
A jornada brasileira tem hesitado com a panacéia de que era um país com um grande futuro condenado à eterna contemplação. Tom Jobim, compositor de Garota de Ipanema, avisou que o Brasil não era para principiantes.
Silencioso, Lula intuiu, com seu pragmatismo astuto - alguém mais é amigo tanto de Chávez quanto do presidente Bush? - que está com a maré a favor de seu país. O futuro do Brasil é agora. Há cinco razões para isso: terra, matéria-prima, energia, meio ambiente e China.
Exportações em alta
Vastidão define o Brasil. O uso agrícola do território não está nem perto da exaustão. O maior exportador de café, carne bovina, açúcar e suco de laranja está rapidamente aumentando as exportações de outros alimentos, como frango (US$ 4,2 bilhões em 2007, mais que os US$ 2,9 bilhões em 2006) e soja. Mais de 220 milhões de acres - uma área maior que a atualmente cultivada - permanece inexplorada fora da Floresta Amazônica.
Outro produto de exportação em crescimento rápido é o minério de ferro. A China, que está investindo pesado no Brasil, quer tudo que o país conseguir produzir, assim como quer comida (bem como a Índia) e energia. O Brasil tem uma abundância de energia e poderia ter muito mais.
Deixemos de lado, por um momento, os vastos recursos hidrelétricos brasileiros e a recente descoberta de um enorme campo de petróleo em águas profundas da costa do Sudeste. O que vai contar ao longo do tempo é sua liderança nos biocombustíveis, particularmente o etanol feito da cana-de-açúcar, que produz oito vezes mais energia por hectare do que o milho usado nos Estados Unidos para obtenção do combustível. Combine isso com a quase ilimitada área de produção e a importância do Brasil entra em foco.
Como Reid escreve: "Se a China estava se tornando a fábrica do mundo e a Índia sua sucursal, o Brasil é a sua fazenda - e potencialmente o centro do meio ambiente".
A liderança do país em combustíveis não-fósseis e a biodiversidade sem paralelo da Floresta Amazônica fazem do Brasil um líder natural no século 21 na batalha contra o aquecimento global.
Nada disso seria significante se o Brasil fosse instável. Mas, assim como a maioria do continente, o país tem se tornado mais previsível. A China percebeu isso e está desenvolvendo rapidamente suas relações comerciais com o Brasil e outras nações latino-americanas. Os Estados Unidos também buscam estender acordos de livre-comércio, com resultados ímpares.
De modo geral, contudo, o continente tem sido deixado de lado pela negligência americana, aguçada pela promessa não cumprida de Bush, antes do 11 de Setembro, de prestar atenção aos mais de 40 milhões de latinos nos Estados Unidos. O próximo presidente deveria olhar para o Sul com prioridade e para o Brasil como o pivô de um compromisso intensificado.
A transformação da América Latina nas últimas décadas tem sido subestimada.
Tem sido política e econômica, mas também cultural. Grandes preconceitos contra o indígena, o mestiço, o mulato foram confrontados e, se não eliminados, questionados. Em termos históricos, tem sido um tempo de fortalecimento dos de pele escura.
As Américas estão mudando e, apesar da retórica antiianque de Chávez, estão se tornando - passo a passo - apenas uma...

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Furto de dados sigilosos da Petrobrás: espionagem?


Informações sobre Tupi, um campo que pode ter de 8 a 30 bilhões de barris de petróleo em reservas desperta a cobiça internacional. Polícia Federal desconfia de espionagem.


Só para ter uma idéia, se as reservas fossem realmente de 30 bilhões, o novo campo quase triplicaria a a produção brasileiro que hoje é pouco maior do que 13 bilhões, e já traz auto-suficiência. Sem contar os outros três campos recém descobertos.

As descobertas ganham em importância, porque desconfia-se que as reservas do Oriente Médio (que detêm 70 % da produção mundial) estão superestimadas em até três vezes, de acordo com o geólogo Collin Campbell (PHD Oxford).

Observe o quadro, e abaixo a reportagem sobre as investigações.

Números Oficiais Collin Campbell
Irã - 132.5 69.0
Iraque 115 61.0
Kuwait 101.5 54.0
Arábia S. 264.3 159.0
Emirados 94.7 44.0


PF trabalha com hipótese de espionagem em furto de dados da Petrobras

CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
com Agência Brasil
A Polícia Federal confirmou nesta quinta-feira a abertura de inquérito para investigar o furto de dois notebooks e um disco rígido com informações sobre atividades da Petrobras e descobertas recentes sobre petróleo e gás. Segundo a companhia petrolífera, as informações contidas no material --que era levado dentro de um contêiner transportado entre Santos (SP) e Macaé (RJ)-- são "estratégicas e sigilosas". A PF informou que trabalha com duas hipóteses: roubo simples ou espionagem industrial.
Por meio de nota, a Petrobras informou apenas que o furto foi feito de uma empresa terceirizada prestadora de serviços, mas não citou nomes. Segundo já confirmado pela PF, o contêiner era transportado pela norte-americana Halliburton --a empresa, porém, afirmou que não se pronunciará a pedido da petrolífera brasileira.
A delegada da PF em Macaé, Carla Dolinsk, afirmou que o caso está sendo apurado desde a última quinta-feira (dia 7), apesar de o furto ter sido informado no dia 1º de fevereiro.
"A Petrobras, que tem a maior parte das informações, nos forneceu informações genéricas sobre o fato. Nós instauramos o inquérito e determinamos algumas diligências. Só que, no entanto, quem tem a maior parte das informações é a própria Petrobras, que está fazendo uma apuração interna", afirmou a delegada em entrevista à Agência Brasil.
O contêiner estava em um navio que partira do porto de Santos (SP) no dia 18 de janeiro em direção a Macaé, município situado no Norte Fluminense, onde a Petrobras tem sua base de operações na Bacia de Campos. O contêiner chegou 12 dias depois, quando seguranças perceberam que o cadeado do contêiner fora violado. Além de avisar a polícia, a Petrobras informou ter realizado investigações internas.
Segundo Carla Dolinsk, os equipamentos furtados podem ser de propriedade da Halliburton e não da Petrobras, mas conteriam informações da estatal brasileira.
A Halliburton é uma das principais empresas prestadoras de serviços para o setor petrolífero do mundo e teve como um de seus executivos o vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney. O contrato com a Petrobras tem validade de quatro anos e valor de US$ 270 milhões.
Espionagem
Dolinsk explicou que a PF trabalha com duas hipóteses para o caso. A primeira seria o furto com objetivo de espionagem para obtenção de informações estratégicas. A outra seria um furto simples.
A PF realizou perícia no contêiner, cujo resultado não foi concluído. Carla Dolinski admitiu, contudo, que as chances de se conseguir informações por meio desta perícia são reduzidas, uma vez que o local não teria sido preservado.
A estatal não informou detalhes sobre o conteúdo dos dados roubados, nem se continham números sobre o megacampo de Tupi, na Bacia de Santos. A Petrobras também evitou comentar detalhes do furto, mas disse que possui cópias das informações.
Tupi
Anunciado em novembro do ano passado, o campo de Tupi tem uma reserva estimada pela Petrobras entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris de petróleo, sendo considerado uma das maiores descobertas de petróleo do mundo dos últimos sete anos.
O roubo ganha gravidade caso realmente se confirme que o contêiner tinha informações sobre Tupi. Devido à dimensão de suas possíveis reservas, o megacampo mexe com o mercado há meses.
Recentemente, as ações da estatal tiveram forte oscilação, após a empresa britânica BG Group (parceira do Brasil no campo, com 25%) ter divulgado nota estimando uma capacidade entre 12 bilhões e 30 bilhões de barris de petróleo equivalente em Tupi. A portuguesa Galp (10% do projeto) confirmou o número.
As reservas provadas de petróleo e gás natural da Petrobras no Brasil ficaram em 13,920 bilhões (barris de óleo equivalente) em 2007, segundo o critério adotado pela ANP (Agência Nacional do Petróleo). Ou seja, se a nova estimativa estiver correta, Tupi tem potencial para até dobrar o volume de óleo e gás que poderá ser extraído do subsolo brasileiro.

Marina Silva: corpo frágil, pensamento forte!

Comentário: importante reportagem com Marina Silva, a ministra do Meio Ambiente, no Estadão. Uma reportagem sem preconceito, diga-se de passagem, fato raro na imprensa paulista.

Também pudera: Marina é considerada uma das 50 personalidades mundiais que podem salvar o planeta, segundo o importante The Guardian.

Aliás, Marina repete o itinerário jornalístico que Mangabeira Unger seguiu há alguns dias: só depois do reconhecimento internacional, alguém lembra de fazer uma entrevista séria no Brasil.

Abaixo a reportagem com Marina Silva.

Click aqui para ler a reportagem do NYTimes com Mangabeira Unger, o que depois gerou entrevistas na imprensa brasileira.

Marina Silva: a equilibrista

Entre o verde e o poder, ministra do Meio Ambiente está há 5 anos no cargo e se mantém, apesar das polêmicas
João Domingos
De todos os auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra do Meio Ambiente, a petista Marina Silva, é a que mais se equilibra no meio do jogo de forças políticas poderosas e contraditórias que dominam o governo. Ora o confronto é com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, por causa das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), como as duas usinas do Rio Madeira, ora o desgaste é com a Agricultura - primeiro com o ex-ministro Roberto Rodrigues, que defendia a liberação de transgênicos, depois, com Reinhold Stephanes e o agronegócio.

No mês passado, o choque foi com ninguém menos do que o "patrão da Esplanada", o presidente Lula, hoje com uma visão a respeito do meio ambiente muito diversa da que é defendida por Marina e o próprio PT dos tempos em que era oposição e estava longe do Planalto.

Quando a ministra divulgou a informação do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) de que o desmatamento na Amazônia havia crescido nos meses de novembro e dezembro, a reação de Lula foi irada. "O que ela está fazendo?! Ficou louca?!", disse o presidente, segundo relato feito por dois ministros que estavam com ele no momento em que ficou sabendo que Marina convocara uma entrevista para dar a má notícia.

A diferença das reações de Lula, no bastidor do Planalto e em público, dá a medida exata da relação complexa que os dois mantêm. Segundo os ministros que falaram com o Estado, eles nunca viram o presidente tão possesso como naquele final de dia 23 de janeiro, a quarta-feira em que Marina fez o anúncio da aceleração da derrubada da floresta. Dias depois, ao final de um almoço no Itamaraty com o presidente do Timor Leste, o Nobel da Paz Ramos Horta, o presidente se recusou, diante de perguntas insistentes dos jornalistas, a criticar a ministra.

Disse que os dados do Inpe eram como um "tumorzinho" anunciado como câncer antes mesmo da biópsia. Ou uma "coceira". Mas fez questão de acrescentar que "a companheira Marina" não tinha culpa de nada.

No bastidor, Lula ficou irritado com Marina porque, pela manhã, em uma reunião com vários ministros, diante da insistência dela em mostrar-lhe os dados do Inpe a respeito do desmatamento, pedira-lhe calma, até que os números fossem mais bem estudados. Como trabalha na linha do "perco a cabeça, mas não perco o juízo", Marina avalia que, vez por outra, precisa afrontar os colegas ou contestar diretamente o presidente em nome da sobrevivência política. E foi o que fez naquela quarta: três horas depois de prometer a Lula que nada faria, convocou a entrevista coletiva e fez o anúncio do aumento do desmatamento. Marina ainda daria outra prova da sua autoridade ministerial.

Lula foi obrigado a fazer uma reunião emergencial de parte do ministério no dia seguinte, mas como percebeu que Marina acusaria o agronegócio pela derrubada de árvores na Amazônia, e que Reinhold Stephanes reagiria em nome dos agricultores, proibiu os dois de darem declarações sobre o tema. Não adiantou: Marina provocou, Stephanes retrucou. O governo expôs o racha.

Por que, nestas condições de choque permanente, o presidente Lula mantém Marina no governo? Em síntese, no governo e entre aliados no Congresso a explicação está no fato de que o eventual afastamento da ministra atrairia violenta pressão de entidades ligadas à questão ambiental no mundo todo sobre o governo brasileiro, dizem auxiliares. Para um presidente que se incomoda com o atraso em obras do PAC e outros projetos provocado pelas questões ambientais, Marina funciona como uma espécie de hipoteca com a comunidade internacional, o grande ativo do governo do PT para o meio ambiente, afirma um ministro.

Ele lembra que Marina é também uma aposta para algum grande prêmio mundial num futuro próximo. Avalia-se dentro do governo que, se Al Gore ganhou o Nobel da Paz por seu trabalho de alerta contra o aquecimento do planeta, Marina também é candidata por sua defesa da Amazônia.

Para o governo, ela tem mais trunfos do que o ex-vice-presidente dos Estados Unidos. Ao contrário de Al Gore, de origem aristocrática, Marina nasceu num seringal no interior do Acre. Cresceu no meio de bichos selvagens, foi alfabetizada aos 15 anos, venceu doenças como hepatite, malária e contaminação do sangue por mercúrio, pelas quais foi desenganada pelos médicos por quatro vezes.

É respeitada internacionalmente e, no mês passado, o jornal britânico The Guardian a incluiu numa lista de 50 pessoas que podem salvar o planeta. Foi a única latino-americana a merecer o destaque.

Com uma biografia assim, raciocina o presidente e todo o governo, é provável que Marina receba bem mais do que a homenagem que a Organização das Nações Unidas (ONU) lhe rendeu em abril de 2007, ao lado de Al Gore, por serviços prestados à preservação do meio ambiente. "Hoje, Marina é uma espécie de garantia do Brasil para o mundo. A Europa exige respeito ao meio ambiente. Marina representa essa bandeira", diz o senador Tião Viana (PT-AC), seu amigo e companheiro de política no Acre.

"A ministra tem a confiança da opinião pública. Instintivo, o presidente Lula acha que é preciso mantê-la para ficar bem com todo mundo", afirma o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), que constantemente dialoga com a ministra.

Marina chegou ao governo de forma silenciosa, com apoio de ONGs e entidades ambientalistas, e venceu por goleada seu principal concorrente, o ex-deputado Tilden Santiago (MG). No governo, avisou ao PT que teria uma vida partidária menos intensa, pois pretendia transformar o Ministério do Meio Ambiente num "ministério de primeira linha" e não de segunda, como julgava que era a pasta nos governos anteriores. De fato, conseguiu.

Hoje, mesmo com a perspectiva dos confrontos, e de muitas vezes perder a luta, Marina é convidada a participar de todas as reuniões que envolvem questões ambientais.

Foi derrotada na liberação do plantio e comércio da soja transgênica, logo no início do governo. Chorou, mas decidiu não sair. Ponderou que sua presença era importante para outras causas do meio ambiente e para o Estado do Acre. Política, evitou envolver-se na polêmica da importação de carcaças de pneus, visto que o então ministro da Casa Civil José Dirceu apoiava esse tipo de comércio. Marcou uma posição contra os transgênicos. Na liberação do plantio e comercialização do milho transgênico, na terça passada, disse não. Só isso. Na mesma mesa, Dilma Rousseff disse sim, tendo vencido.

Durante a batalha do governo pela licença ambiental das usinas de Santo Antonio e Jirau, no Rio Madeira, bateu de frente com Dilma. Acabou por ajudar Lula quando lhe prometeu que procuraria dar às obras um toque de respeito ao meio ambiente e que, ao mesmo tempo, acabaria com as resistências às hidrelétricas.

Para isso, demitiu seu secretário-executivo, Cláudio Langone, que liderava o grupo contrário às usinas do Madeira, e substituiu-o por João Paulo Capobianco, ligado às ONGs. Dividiu o Ibama em dois e criou o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade. Foi agredida com palavras, gestos e atitudes por funcionários do Ibama descontentes com a medida. Resistiu e venceu. O projeto foi aprovado pelo Congresso.

Marina tem quatro filhos. Dois com o primeiro marido, dois com o segundo. Esse último, o técnico agrícola Fábio Vaz, hoje é assessor do governador do Acre, Binho Marques (PT). Antes, Marina o havia empregado no gabinete de seu suplente de senador, Sibá Machado (PT-AC).

Marina nasceu em 1958 no Seringal Bagaço, a cerca de 70 quilômetros de Rio Branco. Aos 15 anos foi levada para a capital, com uma hepatite confundida com malária. Teve a proteção do então bispo do Acre, d. Moacyr Grechi, que a acolheu na casa das irmãs Servas de Maria. Queria ser freira. Analfabeta, foi matriculada no Mobral - o ambicioso projeto de alfabetização do governo militar.

Levada à vida política e social pela Igreja Católica, Marina acabou por ter contato com obras marxistas quando entrou na universidade. Ali, entrou para o Partido Revolucionário Comunista (PRC), tendência que se abrigava no PT, sob o comando do deputado José Genoino (SP).

A tendência política não existe mais. Nem a ministra continua marxista. Hoje, além do meio ambiente, Marina dedica-se à Igreja Assembléia de Deus, à qual se converteu depois de ouvir de um pastor palavras que, a seu ver, lhe ajudaram a salvar a vida. "Minha religião é minha fé", costuma dizer. Não se despede de ninguém sem lhe dizer: "Vá com Deus."