sexta-feira, 28 de março de 2008

Wacquant: "O Estado Penal vai substituindo o Estado Social"


Aí Flávio Nehrer e Cia, artigo bom para discussão...Está na rede.

Comentário: Interessante artigo de Loic Wacquant sobre A tentação Penal na Europa, depois que os Estados Unidos optaram, a partir da era Reagan, pela substituição do Estado de Bem Estar, perseguido até o final dos anos 70, pelo Estado unicamente como aparelho repressor e punitivo.

O autor ilustra como a Europa aderiu a essa culpabilização da pobreza. O artigo é ótimo para pensar o Brasil: onde a morte e a pena historicamente são pensadas antes das questões sociais (principalmente contra negros, indígenas e nordestinos).

Nos Estados Unidos por exemplo as maiores vítimas também foram os negros. E mais recentemente os latinos.

Até o final dos anos 70, a guetificação era sinônimo de fortalecimento, mas houve um abandono sistemático dos projetos sociais voltados para essa população, desde a perda da inclusão universitária até a degradação da assistência pública.

A proposta é simples: sufoca pela miséria, se o bicho gritar atira. E estamos falando de Europa e EUA.

_______________________________________________________

Loic Wacquant

"Após a mudança política e racial que Ronald Reagan trouxe à Casa Branca nos anos 70, os Estados Unidos se lançaram em uma experiência sem precedentes nem paralelo nas sociedades modernas: a substituição de um (semi) Estado de bem-estar por um Estado penal e policial onde a criminalização da miséria e o enclausuramente das categorias marginalizadas tomam o lugar da política social.

O exame dessa experiência há de permitir observar, em suas reais dimensões, como ocorre a regressão do estado social para o Estado penal, num caso particularmente visível devido a sua força de atração ideológica, e também ajudar a discernir melhor o que a trajetória recente os EUA podem dever a esta regressão.

Pois, da economia à política, pasando pela cultura e pela mídia, não há um setor na vida social americana que não seja hoje afetado pelo desenvolvimento excessivo da instituição carcerária.

Com efeito, se a ascensão do Estado penal é especialmente espetacular e brutal nos EUA, sente-se em toda a Euorapa a tentação de se buscar apoio nas instituções carcerárias para minimizar os efeitos de insegurança social gerada pela imposição do salário precário e pelo proporcional estreitamento da proteção social".

quinta-feira, 27 de março de 2008

Ante a turbulência internacional, BC eleva projeções de crescimento


Comentário: Como o BC não gosta de crescimento, lá vem com conversa de "risco de inflação de demanda".

Mas não consulta o BNDES que mostrou o enorme investimento de 2007 em bens de capital e consequente possibilidade de aumento da capacidade instalada.

O que é mais interessante, no entanto, é que mesmo com a pior crise dos últimos 50 anos (palavra de Alan Greenspan ex-FED) nos mercados internacionais, o país deve manter o crescimento perto dos 5% (5.4 em 2007, 4.8 em 2008), podendo chegar aos 50 meses de crescimento contínuo, a maior seqüência da história.

Banco Central eleva projeções para PIB e inflação em 2008

 
ANA PAULA RIBEIRO

Banco Central eleva projeções para PIB e inflação em 2008

Publicidade
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
O aquecimento da atividade econômica levou o Banco Central a elevar as suas projeções em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) e aos preços. A expectativa é que a expansão da economia brasileira seja de 4,8%, ante os 4,5% previstos em dezembro. Para a inflação, porém, a previsão também foi elevada: de 4,3% para 4,6%. As informações fazem parte do "Relatório de Inflação", divulgado nesta quinta-feira.
Embora tenha aumentando a previsão de crescimento da economia, a autoridade monetária reitera que está preocupada com o descompasso entre a demanda e a oferta.
O temor é que as indústrias não consigam atender a essa demanda e isso pressione os preços, causando inflação. É justamente este o argumento usado pela entidade monetária para, no últimos meses, ter brecado a queda da Selic, a taxa básica de juros, hoje em 11,25% ao ano.
"O persistente descompasso entre o ritmo de expansão da demanda doméstica e da oferta, ratificado pelas contas nacionais recentemente divulgadas, e que poderia estar se intensificando, apresenta risco relevante para o panorama inflacionário, o que requer atento monitoramento por parte da autoridade monetária", alerta o documento.
Por outro lado, o cenário para a expansão dos investimentos, que darão sustentabilidade ao crescimento, está mantido mesmo com a desaceleração das principais economias globais, estimulado principalmente pelo consumo interno. Isso ajuda a dissipar um pouco as preocupações, já que com mais investimento, fica mais fácil atender à alta do consumo.
"O fortalecimento da demanda doméstica, ao ampliar a resistência da economia a desenvolvimentos externos, cria ambiente favorável à expansão dos investimentos, mesmo em cenário de desaceleração moderada no crescimento de economias maduras."

Contra a perseguição às religiões afro-brasileiras

Comentário: O preconceito se manifesta contra se faz pouco caso das agressões por preconceito.


Manifestação Pública contra Intolerância Religiosa


Data: 27/03/08
Horário: 15 h
Local: PRAÇA XV, S/N - ALERJ

TRAJE: BRANCO
ARMAS: CARTAZES,FAIXAS, BANNERS

A intolerância religiosa contra a Religiosidade de Matriz Africana e Afro Brasileira tem atingido seu mais alto grau de manifestação. É chegado o momento de
manifestarmos nossa indignação contra os casos de ódio religioso contra
os templos e religiosos de matriz africana. São processo de
discriminação religiosa que são enquadrados em caráter de injúria e
difamação, descaracterizando a ação do agressor.

São templos expurgados das comunidades carentes por ordem de traficantes. Sem falar no ódio expresso nos muros da cidade contra nossos ancestres tendo sua memória vilipendiada.

Os princípios fundamentais de nossa Constituição Federal, especialmente seu Art. 5º em seu VI quegarante ser inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendoassegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, naforma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias bem como o que preconiza Declaração Universal dos Direitos Humanos adotada e proclamada pela resolução 217 A (III) da Assembléia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948 no seu Artigo II - Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer
outra condição.


Mas não bastam leis escritas empapel elas precisam ter vida e só terão se forem cobrado seucumprimento. Por isso vimos no dia 27 de março de 2008, vestid@s de branco, às 15 h, em manifestação coletiva na escadaria da ALERJ para exigir providências dos órgãos públicos.

Maiores Informações:

Telefax:55-21-2280-8733
e-mail:. cetrab@cetrab.org.br com Dolores Lima e Marcelo Monteiro

Os labirintos do PSDB, com Cantanhede

Comentário: para meu projeto maquiavélico de levantar a bandeira "Há vida além de PT-PSDB", a partir de 2010, a análise de baixo é boa.


A vocação da derrota


A gente não pode nem dar um pulo ali em Washington porque, quando volta, encontra tudo de pernas para o ar na politicagem nacional e os tucanos trocando bofetadas em praça pública.
José Serra era o candidato natural do PSDB à Presidência e estava em primeiro lugar nas pesquisas em 2006, mas quem levou a candidatura foi Geraldo Alckmin. Assim como Alckmin não ajudou Serra na eleição de 2002, Serra também lavou as mãos para Alckmin em 2006. Todos os tucanos perderam juntos tanto em 2002 quanto em 2006. Mas não aprenderam nada.
Agora, Alckmin é o candidato natural do PSDB à Prefeitura de São Paulo e está na dianteira das pesquisas, mas o partido não consegue responder em consenso se é melhor ir com um nome próprio para a disputa, ou garantir uma aliança com o DEM para a eleição que realmente interessa: a presidencial, em 2010.
No andar da carruagem, Alckmin e o atual prefeito, Gilberto Kassab, do DEM, vão disputar um contra o outro no primeiro turno, enquanto a petista Marta Suplicy corre lépida e fagueira em faixa própria --e com o PT unido.
Serra anda no inferno astral, com o PSDB rachado dentro de São Paulo e acossado pela divisão nacional, em que parecem todos, mineiros à frente, contra São Paulo. Leia-se: contra o meio São Paulo serrista.
Ou seja, Serra enfrenta Alckmin dentro de casa e, fora, dá de cara com Aécio Neves, em aliança com o PT em Minas e com Tasso Jereissati, Sérgio Guerra e parte dos governadores --além do próprio Alckmin, claro-- no resto do país.
Aliás, registre-se a crescente desenvoltura de Aécio e a aparente submersão de Serra no cenário nacional. Um dá entrevistas, viaja, desfila com petistas e até namora misses. O outro parece imobilizado nessa teia Alckmin-Kassab.
Se não perderem a eleição na principal capital, o que passa a ser possível, os tucanos já entrarão em 2009 e 2010 cheios de cicatrizes e sequelas internas que só se aprofundam desde 2002.
Enquanto isso, Lula tem a popularidade que tem, a máquina do governo, o Bolsa Família, o PAC. Pode ir de Dilma Rousseff, pode ir como uma porta e mesmo assim será forte, muito forte, na sua sucessão.
Barack Obama e Hillary Clinton deveriam vir até o Brasil para observar os tucanos e fazer o oposto do que eles fazem. Ninguém como eles é tão craque em perder eleições, inclusive eleições tidas como ganhas.

quarta-feira, 26 de março de 2008

FT: 14 de Março de 2008, data da morte do Neoliberalismo


Comentário:
E já vai tarde. No artigo abaixo publicado no Finacial Times, esta é a data que não deverá ser esquecida, após quase 30 anos de uma ditadura disfarçada.

Aliás neoliberalismo não define muito bem o que aconteceu. Mas o que vivemos em verdade foi um "fundamentalismo de mercado" absolutamente perverso. Tudo se reduziu a um mesmo lema: o mínimo de Estado (visto como corrompido, ineficaz, e outras baboseiras que não viam que o mesmo acontecia do outro lado).

A condenação de tudo que divergia também não pode ser chamado de "neoliberalismo" (seria contraditório liberais recusarem o diálogo). Intolerância é coisa de fundamentalista.

Mas agora os próprios pais do fundalismo de mercado, ingleses e americanos, estão repensando suas bases: a época do "tudo pode" acabou. O Estado é necessário. A sociedade deve ser regulada e livre. O mercado regulamentado. Seguro. Contra abusos e irresponsabilidades.

Os oligopólios vão ficar, possivelmente. Mas o mundo tem que levar mais a sério o diálogo.

 ___________________




MARTIN WOLF

DO "FINANCIAL TIMES"

RECORDEM a sexta-feira, 14de março de 2008: foi o dia em que o sonho de um capitalismo de livre mercado e alcance mundial morreu. Por três décadas avançamos na direção de sistemas financeiros propelidos pelo mercado.

Com sua decisão de resgatar o Bear Stearns, o Federal Reserve (Fed), instituição responsável pela política monetária dos Estados Unidos e principal defensor do capitalismo de livre mercado, decretou o fim de uma era.
 
O banco central americano mostrou em forma de ação sua concordância com o sentimento expresso por Joseph Ackermann, presidente-executivo do Deutsche Bank, ao declarar: "Não acredito mais que o mercado possa se curar sem interferência". A desregulamentação encontrou seu limite.

Não estou avaliando, aqui, se o Fed estava ou não certo ao resgatar o Bear Stearns da insolvência. Não sei se os riscos justificavam a decisão de não só servir como fonte de recursos de emergência ao banco de investimento como de aceitar ativos de crédito de risco no balanço do banco central. Mas os funcionários envolvidos são pessoas sérias. Devem ter tido motivos para suas ações.

Podem certamente apontar para os perigos do momento -uma crise que Alan Greenspan, ex-presidente do Fed, definiu como "a mais devastadora desde o final da Segunda Guerra Mundial"- e para o papel do Bear Stearns nos frágeis mercados atuais.

Meu julgamento gira em torno das implicações da decisão do Fed. Em resumo, permitir que o Bear Stearns falisse foi considerado como risco sistêmico. Foi uma posição desenvolvida apressadamente, é fato, em um momento de crise.

Mas momentos de crise são aqueles em que novas funções emergem, em especial as práticas associadas à função dos bancos centrais como fonte final de recursos do mercado, que surgiu no século 19.

As implicações da decisão são óbvias: terá de haver regulamentação muito maior dessas instituições
.

O Fed oferece uma forma valiosa de seguro aos bancos de investimento. Isso de fato se torna evidente tendo em vista o que aconteceu no mercado de ações desde o resgate: as ações dos demais grandes bancos de investimento subiram consideravelmente. É uma demonstração visível do risco moral. O Fed decidiu que a "greve" do mercado monetário contra os bancos de investimento era o equivalente a uma corrida a um banco comercial.

Concluiu que, por isso, tinha de abrir as torneiras monetárias em benefício dessas instituições. Regulamentação maior certamente está a caminho.

Os lobbies que servem Wall Street com certeza resistirão a onerosas regras de capitalização ou liquidez, depois que a crise passar. Podem até encontrar sucesso. Mas sua posição se tornou intelectualmente insustentável. As instituições cuja falência representaria risco sistêmico precisam pagar pela proteção oficial que recebam.

Sua capacidade de desfrutar das vantagens pelos riscos em que incorrem enquanto transferem as desvantagens à sociedade precisa ser restringida.

Não se trata de questão de simples justiça (ainda que esse aspecto evidentemente importe), mas também de uma questão de eficiência.

Um cassino subsidiado mas não regulamentado certamente alocará mal seus recursos. Além disso, o subsídio se aplica agora não apenas aos acionistas mas a todos os credores. Seu efeito é tornar o custo dos fundos insensatamente barato. Esses incentivos grotescamente desalinhados precisam ser corrigidos.

Lamento profundamente o fato de que o Fed tenha considerado necessário agir como agiu. No passado, eu costumava esperar que a securitização fosse capaz de transferir parte substancial dos riscos para além do sistema bancário regulamentado, no qual os governos não mais teriam de intervir. Isso se provou ilusório. Um volume imenso de empréstimos arriscados, se não escancaradamente fraudulentos, tornou muito arriscados os mercados de instrumentos securitizados. Isso prejudicou as instituições, especialmente o Bear Stearns, que operavam de maneira intensiva nesses mercados.

No entanto, o fato de que o Fed tenha estendido sua rede de segurança aos bancos de investimento não é a única razão para que a crise represente um ponto de inflexão nas atitudes quanto à liberalização financeira.

A confusão no mercado da habitação dos Estados Unidos (e talvez em breve de outros países desenvolvidos) também contribuiu. Ben Bernanke, o chairman do Fed, um homem conhecido pela moderação de seus pronunciamentos, descreveu boa parte dos empréstimos hipotecários de risco ("subprime") dos últimos anos como "nem responsáveis nem prudentes", em discurso cujos detalhes são de arrepiar os cabelos.

Isso, na linguagem do Fed, quer dizer "criminosos e loucos". Uma vez mais, é preciso garantir que situação semelhante não aconteça de novo, especialmente porque os prejuízos causados por esses empréstimos ao sistema financeiro podem ainda se provar enormes. O colapso nos preços das casas, a inadimplência em alta e a execução de hipotecas prejudicarão milhões de eleitores.

Os políticos não poderão ignorar a situação deles, mesmo que isso resulte em um dispendioso resgate aos imprudentes. Mas as conseqüências certamente envolverão regulamentação mais pesada do que a atual.

Se os Estados Unidos chegaram ao ponto máximo de desregulamentação financeira e estão começando a recuar, as implicações para a economia mundial mais ampla serão consideráveis.

Até recentemente, era possível dizer aos chineses, aos indianos ou a quem tivesse sofrido crises financeiras significativas, nas duas últimas décadas, que existia um sistema financeiro tanto livre quanto robusto. Mas esse já não é mais o caso. Será difícil, de fato, persuadir esses países de que as falhas de mercado reveladas nos Estados Unidos e em outros países de alta renda não representam um severo alerta.

Se os Estados Unidos, com sua vasta experiência e recursos, não conseguiram evitar essa armadilha, por que, eles poderiam perguntar, deveríamos nos sair melhor?

Essas implicações de prazo mais longo para as atitudes quanto aos mercados financeiros desregulamentados estão longe de ser o único motivo para que a crise atual seja considerada importante. Temos ainda de superar a crise imediata.

O colapso dos lucros financeiros (tão significativos na economia dos Estados Unidos), o "crash" nos preços das casas e uma grande elevação nos preços das commodities formam combinação que deve resultar em longa e profunda recessão.

Para enfrentar esse perigo, o Fed já reduziu as taxas de juros de curto prazo a 2,25%. Enquanto isso, o Fed também está claramente correndo o risco de uma fuga aos passivos denominados em dólares e de uma retomada na inflação. É difícil ver motivo para que os rendimentos de títulos de longo prazo do Tesouro norte-americano sejam tão baixos, excetuado o desejo de controlar o passivo do Tesouro dos EUA, o mais seguro dos emissores de títulos denominados em dólares.

Kenneth Rogoff, economista da Universidade Harvard, recentemente citou o poeta Robert Frost -"alguns dizem que o mundo terminará em fogo; outros em gelo"- para descrever os riscos de ruína financeira (fogo) e inflação (gelo) que temos de enfrentar.

O momento é perigoso. O momento é também histórico. Os Estados Unidos mostraram os limites da desregulamentação. Administrar essa virada inevitável sem jogar fora o que ganhamos nas três últimas décadas é um imenso desafio. E o mesmo se aplica a sobreviver incólume ao processo de redução de endividamento que está por vir. Mas precisamos começar no lugar certo: reconhecendo que até mesmo o passado recente é uma terra estrangeira.

domingo, 16 de março de 2008

Uma boa matéria sobre o Pronasci



Comentário: O site comunidadesegura.org, da organização de mesmo nome, faz uma boa reportagem-análise do Pronasci, o Programa Nacional de Segurança e Cidadania, lançado recentemente.

Vale a pena dar uma olhada.


terça-feira, 11 de março de 2008

Quase metade da classe média é a favor da tortura


Comentário: Quase metade daqueles que ganham mais de cinco salários mínimos é a favor da tortura. Já apenas 1/5 dos que recebem menos de  um salário aprova esse tipo de conduta policial.


Ou seja: Se você recebe mais de 2 mil reais por mês a chance de você apoiar as práticas violentas em delegacias é bem maior.

Isso porque sabe-se que quem sofrerá essa prática é justamente o pobre.

O que mostra que o padrão civilizatório da nossa elite é bem atrasado (intolerância, respeito à lei, etc), além de inexistir respeito social pelo homem de menor poder aquisitivo.

Mas ao mesmo tempo não mostra que nosso "pobre" é mais civilizado.

Apenas que ele tem mais medo de ser vítima dessa prática.


A pesquisa desmonta o trabalho intitulado "Como pensam os brasileiros" do sociólogo Alberto Carlos Almeida, que dizia que a classe média seria o nosso "farol da modernidade", conforme festejou a Veja, no ano passado.

_________

Pesquisa diz que 26% dos brasileiros são a favor da tortura policial.

Fonte: Ibope.

Se todos os brasileiros fossem policiais, um em cada quatro torturaria suspeitos para obter informações que ajudassem no combate ao crime. É o que revela uma pesquisa realizada pela agência Nova S/B em parceria com o Ibope, divulgada neste domingo pelo jornal O Globo. Segundo o levantamento, cujo objetivo era descobrir os valores que os brasileiros prezam, 26% da população admite a tortura policial.

A opinião, porém, não é a homogênea quando se dividem os participantes do estudo por classe social.

Enquanto entre as pessoas com renda superior a cinco salários mínimos o índice dos que defendem a tortura chega a 42%, entre os que ganham até um salário mínimo, o percentual não passa de 19%. Entre os que têm curso superior, o índice é alto: 40%, de acordo com a pesquisa.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Finalmente, uma boa razão para começar a beber álcool

Clipado de Tecnocientista: http://groups.tecnocientista.info/nd.asp?cod=6481

Aqueles que não bebem álcool já tem uma razão para começar. Já se sabia que quem bebe socialmente tem melhores salários, mas agora, um estudo publicado no American Journal of Medicine descobriu quem bebe ocasionalmente vive mais e tem menos chance de ter doenças cardíacas.

Quem começa a beber quando chega à meia-idade tem 38% menos chance de ter um ataque cardíaco do que os abstinentes, mesmo se tiverem fatores de risco como sobrepeso, diabetes, pressão alta e outros riscos para o coração. Mito ou realidade: Beber ajuda a esquecer

Muitos estudos já afirmaram que beber moderadamente poderia levar a uma saúde melhor, mas todos os pesquisadores avisavam que não havia razão para os abstinentes começarem a beber.

Agora talvez haja.

A Dra. Dana King da Medical University of South Carolina (EUA), estudou 7,7 mil pessoas durante 10 anos. E 6% dos voluntários começaram a beber naturalmente nesse período.

"Durante os quarto anos seguintes nós monitoramos os novos bebedores ocasionais e os comparamos com os não-bebedores persistentes e verificamos uma queda de 38% em novas doenças cardiovasculares", disse Dana para a Reuters. Barriga de cerveja: Mito ou realidade?

A melhora foi observada mesmo em diversas pessoas com outros fatores de risco para desenvolver doenças cardíacas como tabagismo, pressão alta, obesidade, raça, educação, exercício e colesterol.

Também foi averiguado que há muito mais benefícios para aqueles que bebem apenas vinho.

Atenção: Os resultados não significam que se deve beber sem medida. Outro estudo publicado na última semana apóia este conselho. A quantidade de álcool e a freqüência da ingestão afetam o risco de morte por várias causas diferentes.

Este estudo do National Institutes of Health com 44 mil pessoas, descobriu que homens que tomam cinco ou mais drinques nos dias em que costumavam beber tinham 30% mais chance de morrer de ataque cardíaco ou derrame do que homens que tomavam apenas um drinque por dia, independentemente da sua taxa média de ingestão de alcoólicos. Porquê não devemos beber água do mar?

Em outra revista especializada foi publicado que beber moderada e regularmente é mais saudável do que o pileque ocasional.

Mesmo os homens que beberam todos os dias do ano tinham 20% menos chance de morrer de doença cardíaca do que homens que tenham bebido entre um e 36 dias do ano, se bebessem moderadamente.

"Se considerados juntos, ambos os estudos reforçam a importância de beber com moderação", escreveram os pesquisadores. [Fonte]

quarta-feira, 5 de março de 2008

Como Jorge Furtado derrotou Mainardi na Justiça


Comentário: Lendo as repercussões do Dossiê Veja, deparei-me com esse texto do cineasta Jorge Furtado, onde conta como venceu na Justiça processo por difamação contra Diogo Mainardi.

O texto é engraçadíssimo. Os advogados da Veja para livrar a cara da revista começaram a elogiar Furtado, mas a emenda saiu pior que o soneto: erraram de filme.

Pior: no artigo em que calunia o cineasta, Mainardi comete um erro de ... subtração.

É bem conhecida a dificuldade de Mainardi com gramática, mas ser ruim também em matemática é meio demais.

Por Jorge Furtado
A revista Veja, no artigo em que me caluniou, afirma que meu sócio foi beneficiado pelo governo gaúcho do PT em 1998 e que eu fui duas vezes beneficiado por verbas públicas do governo federal petista em 2000.
Mainardi afirma também que 700 menos 250 é 350.
"Se a verba era de 700.000 (...) a quadra de futebol custou 120.000, e outros 130.000 foram gastos em impostos, sobraram 350.000"
Diogo Mainardi, revista Veja, 12/01/05.
Meu advogado não teve muito trabalho em demonstrar que em 1998 o governador gaúcho era Antonio Britto (a quem o PT fazia oposição) e que em 2000 o presidente era FHC.
Não custa lembrar que, ao contrário do que afirmou Diogo Mainardi, 700 menos 250 é 450 e não 350.
Parece engraçado, mas não é. Antes de chamar alguém de ladrão, por escrito, na revista de maior circulação do país, os editores da Veja deveriam ensinar aos seus articulistas, no mínimo, as quatro operações aritméticas.
Em sua defesa os réus alegaram que"não puseram em dúvida" a minha "integridade moral". Reconhecem que erraram - seria inútil negar - mas afirmam que "o articulista co-réu diz que não mentiu, mas cometeu um erro, um erro inofensivo, passível de retificação e bastaria uma cartinha para tanto".
E arriscam-se no terreno da crítica cinematográfica ao afirmar que o meu filme "O homem que copiava" é "uma obra que propõe uma reflexão sobre o meio social, comportamental e político, como também o premiado "Janela Indiscreta", além de desfilar inúmeras referências literárias e cinematográficas".
Agradeci a sugestão e os elogios, mas informei aos réus que não tenho o hábito de escrever "cartinhas" e que "Janela Indiscreta", obra-prima do grande realizador Alfred Hitchcock, não deveria ser chamado de um filme "premiado", já que foi indicado ao Oscar de 1955 em quatro categorias (diretor, roteiro, som e fotografia), mas não ganhou nenhum dos prêmios.
No mesmo ano o filme foi indicado para receber os prêmios Bafta e da Associação dos Diretores da América, mas também não ganhou. (Nem quando me elogiam eles acertam!)
Sou totalmente a favor da completa liberdade de imprensa, não aceito qualquer forma de cerceamento à livre expressão de opiniões, desde que, como assegura a lei, cada um responda "pelos abusos que cometer". Por isso recorri à justiça. E ganhei.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Dossiê Veja: Dantas e o esquema com Diogo Mainardi

Comentário: O jornalista Luis Nassif continua trazendo à luz as investigações sobre as operações da revista Veja, que tentou impedir a investigação, retirando do ar parte dos seus arquivos.

Também dos blogs (Reinaldo Azevedo) foram retiradas as demonstrações de racismo, de ataques à mulher (como no caso da professora da USP chamada de vagabunda, e no padre Julio Lancelloti, recomendando o uso de cinta liga, etc..) e de outras práticas caluniosas.

Nassif está montando o dossiê com a ajuda de diversos jornalistas, incluindo alguns de dentro da editora Abril.

Vale a pena ler.


A imprensa e o estilo Dantas

Conforme fartamente demonstrado nos capítulos anteriores, antes de fechar com Dantas a direção da Veja o tinha em conta como alguém que comprava reportagens, fabricava dossiês falsos e subornava jornalistas.
No capítulo "Os Primeiros Ataques a Dantas"  e "O dossiê falso" esmiuço as sucessivas denúncias de Veja antes de ser cooptada pelo banqueiro. Qual a lógica que leva uma revista a se associar a um empresário que, segundo ela mesmo, espalha dossiês falsos, compra reportagens e jornalistas? Há muitas explicações para isso, nenhuma boa, do ponto de vista jornalístico.
Essa atuação da revista, no entanto, era apenas a ponta final de uma linha de operação que passava por várias instâncias antes de desembocar nos dossiês e informações repassadas ao quarteto de Veja.
O jogo fica mais claro quando se começa a penetrar no mundo de Dantas e a entender melhor a linha de montagem preparada para suas guerras empresariais.
Nelson Tanure ganhou rios de dinheiro entrando em ações judiciais que tinham por único objetivo criar dificuldades para a concretização de algum negócio. Com a lentidão da justiça brasileira, as partes envolvidas achavam mais barato pagar para se ver livre das ações. Caso típico foi a compra do Banco Boavista pelo Bradesco.
A partir das lições de Tanure, Dantas percebeu que ações judiciais, matérias na imprensa, com espionagem, dossiês falsos, faziam parte de uma mesma estratégia, portanto deveriam estar sob um mesmo comando.
Assim, montou uma estrutura de lobby interna, com os diversos elos das disputas empresariais sob o comando de Humberto Braz, diretor corporativo da Brasil Telecom no período em que Dantas esteve no comando da companhia.
Braz integrava e comandava os trabalhos jurídicos (legais e de lobbies), os contatos com espionagem (da Kroll a jornalistas infiltrados no meio), a cooptação de publicações e jornalistas, através do controle das verbas publicitárias e da contratação de assessorias de imprensa incumbidas de atrair jornalistas para o esquema Dantas.
Grosso modo, se poderia desenhar assim o cronograma da operação. 
Vamos nos fixar na parte jornalística, que é objeto dessa série, e já é dor-de-cabeça o suficiente.
No campo da mídia propriamente dita, a coordenação de Humberto Braz consistia dos seguintes movimentos:
•    Agências de Publicidade: não apenas opinava sobre as campanhas da Brasil Telecom, quando sob controle de Dantas, como dava a última palavra nas campanhas da SMP&B e DNA (de Marcos Valério), que eram agências da Telemig Celular e da Amazônia Celular.
•    Mantinha contratos formais com sites de informação, como Consultor Jurídico e Cláudio Humberto.
•    Tinha contratos polpudos, muito acima dos preços de mercado, com assessorias como FSB, Andreolli, Insight, AbreDePágina, LínguaMensagem. Em muitos casos (como a FSB), não havia nenhum relatório de serviços prestados. Pelos valores envolvidos, havia suspeitas de que, por trás de algumas delas, poderiam se esconder jornalistas profissionais militando na mídia.
•    Mantinha contato com a Kroll e com jornalistas ou empresários do setor incumbidos do trabalho de informação e espionagem.
O modo de operação obedece a um padrão.
1. Montagem de dossiê, para a qual, além da Kroll, Braz conta com as próprias assessorias de imprensa, além de outros personagens que serão mostrados no decorrer deste capítulo.
2. Depois, o lobista passa as informações para o jornalista cooptado, mastigadas e com a receita pronta sobre como  manipulá-las. Nos capítulos "O Post-It de Maianardi" e "Primeiros serviços" descrevo em detalhes em que consistia esse sistema de manipulação das informações.
3. O jornalista publica sem mencionar a fonte, ou mentindo sobre sua origem (caso recente de Diogo Mainardi sobre o dossiê da Telecom Italia).
4. Outros jornalistas, cooptados, repercutem a denúncia.
5. O lobista faz um apanhado do conjunto de informações e agrega ao processo (quando for o caso), como se viesse de fonte neutra.
6. Finalmente, o uso das agências de publicidade para "adoçar" a boca das publicações.
É nesse ambiente de atuação do lobby de Dantas, que o quarteto de Veja se torna um dos operadores mais audaciosos.

O caso Nassif 

Vamos a alguns exemplos práticos de como funciona essa linha de produção de escândalos.
Ao longo de 2003, 2004 em diante, andei escrevendo sobre Daniel Dantas, tentando trocar em miúdos o intrincado roteiro de que se valia o banqueiro para confundir a opinião pública.
Fui alvo de uma tentativa de "assassinato de reputação" praticada por Diogo Mainardi através de duas colunas na revista Veja, em 17 e 24 de agosto de 2005. Como relatei no início da série, foi o primeiro serviço prestado pela revista dentro da nova  fase de aliança com Dantas.
Na época em que sofri os ataques, tinha escrito colunas informando que as agências financiadoras do "mensalão" – SMP&B e DNA – trabalhavam para a Telemig Celular e Amazônia Celular, controladas por Dantas.
Anote os ataques de Mainardi e me acompanhe por um passeio pela agenda do lobista Humberto Braz.
Dossiê – Sérgio Thompson Flores é um ex-diplomata que enriqueceu com privatizações e tentou seguir os passos de Nelson Tanure, de entrar na mídia como reforço para manobras de lobby. No começo de 2005, estava montado uma revista e me procurou propondo se associar à Dinheiro Vivo. Me atazanou por um mês, querendo um plano de negócios com os dados da empresa. Depois que recebeu, sumiu com as informações. Na mesma época, foi trabalhar na agência Rodrigo Squizatto. Quando estourou o escândalo Kroll, seu nome apareceu em um CD e ele admitiu que trabalhava para a Kroll e seu contato era o português Tiago Verdial. 
Thompson Flores reuniu-se com Braz sucessivamente em 11, 15 e 25 de junho, em 2, 6, 9 e 16 de julho de 2004. A Brasil Telecom anunciou na capa da revista durante praticamente todo o ano. Braz reunia-se periodicamente com a Kroll. Provavelmente vem daí a origem do "dossiê" manipulado por Mainardi.
Jornalista –o passo seguinte era encontrar o jornalista "sela". Conforme relatado nos primeiros capítulos, a cooptação da Veja se dá em meados de 2005, assim como a transformação de Mainardi de parajornalista em agente do lobby. O primeiro serviço prestado foi ele me atacando.
Publicidade – apesar de presidente da holding da Brasil Telecom, Braz dava a palavra final para todas as campanhas preparadas pelas agências SMP&B e DNA, de Marcos Valério. Por exemplo, reúne-se com Marcos Valério e Christiano Paz nos dias 21 e 22 de junho de 2004, 13 e 22 de julho de 2004 e 5 de agosto de 2004. 
É de Humberto Braz a autorização final para a veiculação de 12 páginas de publicidade na revista Veja, seis em cada uma das duas edições contendo os ataques de Mainardi. Ou seja, enquanto denunciava a plenos pulmões o "mensalão", Veja recebia 12 páginas das empresas do "mensalão", aparentemente como contrapartida pelo ataque combinado com seu colunista para desviar a atenção sobre as fontes de financiamento do "mensalão".

O caso Márcia Cunha

Vocês se recordam do capítulo "O Caso Edson Vidigal", onde se narrava a tentativa de "assassinato de reputação" pela Veja em cima do então presidente do Superior Tribunal de Justiça, por ter confirmado a sentença que apeou o Opportunity do comando da Brasil Telecom. Foi na edição de 21 de setembro de 2005.
Em 13 de abril de 2004, os fundos e o Citigroup propuseram uma ação para anular o chamado contrato guarda-chuva (que conferia plenos poderes ao Opportunity para gerir as empresas de telefonia).
Em maio de 2005 a juiza Márcia Cunha, da 2a Vara Empresarial do Rio de Janeiro proferiu a sentença, anulando os efeitos de um acordo guarda-chuva que dava plenos poderes a Dantas. A decisão foi mantida pelo Tribunal de Justiça do Rio.
Foi alvo de uma campanha pesada, que culminou com advogados do Opportunity recorrendo a linguistas, para tentar provar que a sentença não tinha sido escrita por ela.
Através de Mauro Salles, tentaram comprar o parecer de um funcionário da Academia Brasileira de Letras, que recusou. O "imortal" Antonio Olintho não se fez de rogado e aceitou a encomenda. Um dia a ABL ainda terá que colocar essa história em pratos limpos.
Pressionada, a juiza denunciou ter sido alvo de uma tentativa de suborno por parte de Eduardo Rascovisky, falando em nome do Opportunity. Atenção: entre 6 de fevereiro de 2004 e 20 de outubro de 2004, Rascovisky teve 16 reuniões com Humberto Braz.
Qiando a juíza denunciou a tentativa de suborno, a "Folha" incumbiu a repórter Janaína Leite de ir ao Rio cobrir o episódio (clique aqui).

Em vez de se concentrar nas acusações da juíza, Janaína comete uma tentativa de "assassinato de reputação" – sem identificar a fonte da informação. Semanas atrás se ficou sabendo que sua principal fonte de informação era um diretor do Opportunity.

Não é a primeira vez que Márcia Cunha sofre questionamentos administrativos. A primeira foi no início dos anos 1990 e envolvia tentativa de fraude fiscal. A juíza também foi alvo de críticas por aceitar passagens de cortesia da Varig quando julgava processos envolvendo a companhia aérea. (...)
A decisão da juíza foi dada poucos dias após a apresentação da defesa do Opportunity, que contava com mil páginas. Ao todo, mesmo o julgamento sendo liminar e não de mérito, a sentença contava com 40 páginas impressas. Causou estranheza ao Conselho de Magistratura a rapidez e a diferença no padrão de decisões proferidas por Márcia Cunha - geralmente manuscritas e com, no máximo, quatro páginas.  
O mesmo modelo da Veja, o mesmo modelo das colunas de Mainardi, um conjunto de informações incompletas, de fatos banais distorcidos que se transformam em escândalos, no formato de um dossiê.
O que seria uma "tentativa de fraude fiscal"? Uma declaração de renda incorreta, algum lançamento errado? A matéria não avançava em informações.

O Opportunity apresentara uma defesa de mil páginas. Suspeita seria a juiza se respondesse com uma sentença manuscrita de quatro páginas. No entanto, era "acusada" de ter escrito uma sentença de 40 páginas no computador.

Era a subversão do conceito de escândalo, mas fazia parte de um procedimento padrão do esquema jornalístico montado, e que seria repetido por Mainardi, Veja, Leonardo Attuch e outros jornalistas que atuavam de forma sincronizada.
Um ano depois, a juíza foi inocentada das acusações. A cobertura da "Folha" voltava às mãos sérias de Elvira Lobato (clique aqui).
Em 20 de janeiro de 2006, os repórteres Chico Otávio e Maria Fernanda Delmas, de "O Globo", escreviam ampla reportagem sobre a influência de Eduardo Raschkovsky no TJ do Rio de Janeiro  (clique aqui).  
Em 4 de março de 2006, Elvira Lobato e Pedro Soares mostram as perseguições sofridas pela juiza (clique aqui). 
Em quase todos os casos havia a mesma articulação de interesses, a manipulação de denúncias, a chantagem explícita - caso de Mainardi nas suas últimas colunas na Veja.
Algumas vezes o jornalismo conseguia sair vitorioso, como nesse episódio.

Indústria Militar: necessária e economicamente importante


Comentário: será que os brasileiros acordaram para a necessidade de uma estratégia séria de defesa nacional, e da potencialidade econômica da indústria militar?

Só dá para acreditar vendo. Mas dá vontade de acreditar.


www.defesanet.com.br

Estratégia Nacional para a Indústria de Defesa começa a se definir em encontro marcado para o dia 21de fevereiro
A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) promove em Brasília, no próximo dia 21, uma reunião com representantes do setor da Indústria de Defesa. A idéia é iniciar a discussão de uma estratégica nacional para o setor, aproximando Governo e iniciativa privada. Participam da reunião representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), da Defesa (MD), da Ciência e Tecnologia (MCT), da Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil (AIAB), do BNDES, da CNI, e da FIESP.
A iniciativa, que conta com o apoio técnico do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), é parte do Plano Estratégico Setorial (PES), desenvolvido pela ABDI para dar suporte e incentivar a inovação e a competitividade na cadeia produtiva de Defesa. A partir de discussões com entidades e empresas do setor, será elaborado um panorama setorial e um estudo prospectivo, que poderá servir como um guia para o setor, apresentando um diagnóstico e indicando possíveis soluções para os gargalos.
Na pauta do encontro está a palestra "Relacionamentos entre o Exército Brasileiro e Indústria de Defesa", ministrada pelo Major Valério Luiz Lange, da Artilharia do Quadro de Estado-Maior da Ativa do Exército Brasileiro e doutor em Ciência Militares. A abordagem será o funcionamento da Indústria Brasileira de Defesa e a influência do Exército.
Após a palestra, Walter Bartels, Diretor-Presidente da AIAB, apresentará o termo de referência que irá subsidiar a elaboração do Estudo Prospectivo do setor de Defesa. Em seguida, o Coordenador Geral das Indústrias de Transporte Aéreo do MDIC, Carlos Macedo, falará sobre o andamento da parceria entre MDIC e Ministério da Defesa.
Para Rosane Argou, gestora do PES da Indústria da Defesa da ABDI, o objetivo do encontro é ouvir representantes da área técnica e coletar o maior número possível de informações de cada um dos atores envolvidos. "São eles que possuem o conhecimento necessário para elaborar um estudo prospectivo dessa profundidade", explica.
O Plano Estratégico Setorial da Indústria de Defesa é composto por entidades como BNDES, FIESP, Sindicato das Indústrias dos Materiais de Defesa, (MCT), MD, MDIC, AIAB e CNI, entre outros.
Entendendo o PES
Dentro do Programa de Competitividade Setorial, a ABDI criou o Plano Estratégico Setorial (PES), com o objetivo de auxiliar as diversas cadeias produtivas com apoio tecnológico, incentivo à inovação e promoção a competitividade. São resultados do PES um panorama setorial e um estudo prospectivo, que vão fornecer ao empresariado uma visão macro do setor, o que irá contribuir na solução de gargalos e na adoção de novas estratégias.
Atualmente os setores de Têxtil e Confecções, Cosméticos, Equipamentos Médicos e Odontológicos, Plásticos, Aeronáutico, Coureiro Calçadista e Artefatos, Madeira e Móveis, Autopeças, Complexo Industrial da Saúde também são assistidos pelo PES.

Lula para Cristina: "Usted es un chica muy guapa!"

Nestor que se cuide.

Marisa também...rsrsr


http://www.lanacion.com.ar/anexos/imagen/08/789775.JPG

Guinada de Lula à direita fortaleceu a economia

Comentário: Se, por um lado, as políticas sociais baseadas na idéia do nobel de economia indiano Amartia Sen e de Jeffrey Sachs (política de renda mínima associada à distribuição de alimentos) marcam a posição de esquerda* do governo, além da suspensão do mote neoliberal das privatizações em massa, foi justamente uma guinada à direita do Governo Lula que permitiu a confiabilidade externa, a consecução de superávits primários, e ajustes macroeconômicos que retiraram  o país da  situação de fragilidade internacional que se encontrava  até 2002.

Em plena crise internacional, o Brasil pode conseguir o tão sonhado "investment grade", que atrai investimentos de qualidade (montantes elevados, de credores confiáveis, e a longo prazo)

Pois que sempre foi uma bandeira de esquerda descumprir os acordos internacionais e afrontar as grandes economias (ver a retórica do PSTU).
O que resta talvez da posição de esquerda em política internacional é a atenção maior aos mercados até então ignorados (Ásia, América Latina e Àfrica) pelos governos anteriores, e os acordos Sul-Sul.

O que foi visto no início do governo como Anti Americanismo: a redução da dependência em relação à economia americana de 50 para 20%, que nos livrou de ir para a lama junto à crise dos financiamentos imobiliários do irmão do norte.

(*) Na verdade, os dois pensadores alinham-se ao que se chama de social-liberalismo.


Brasil, pela primeira vez, passa a ser credor externo


A soma dos ativos brasileiros no exterior (constituídos fundamentalmente pelas reservas internacionais) superou o valor da dívida externa do país, pela primeira vez em sua história. Segundo o relatório Focus, do Banco Central, em 2003, a dívida superava os ativos em US$ 165,2 bilhões. Em 2007, essa diferença, por estimativa, cai para US$ 4,3 bilhões. E, em janeiro deste ano, a posição se inverte e são os ativos que superam a dívida externa em mais de US$ 4 bilhões.

O resultado obtido decorre das políticas macroeconômicas adotadas e  da liquidez internacional que permitiu o ingresso de divisas no País. O relatório destaca ainda o bom desempenho das empresas exportadoras e os resultados recordes da balança comercial como fatores cruciais para a melhora na posição internacional do País.

As reservas internacionais tiveram "evolução sem precedentes" nos últimos anos, de acordo com o relatório. Subiram de US$ 16,3 bilhões, em 2002, para US$ 180,3 bilhões, no final de 2007. Apenas no ano passado, cresceu 110%.

Os ingressos de capitais também foram recordes. Alcançaram a cifra de US$ 88,2 bilhões em 2007. Na avaliação do Banco Central, esses ingressos foram bem distribuídos entre Investimentos Estrangeiros  Diretos (IED), em carteira e outros. Os ingressos líquidos de IED atingiram o maior montante da série histórica, US$ 34,6 bilhões, mais que o dobro dos valores observados em 2002. Já os investimentos estrangeiros em carteira foram conseguidos graças ao desenvolvimento do mercado acionário brasileiro, o reforço das regras de governança corporativa e o estímulo à capitalização acionária por meio de ofertas públicas de ações.

Os dólares vindos dos investimentos e dos superávits (obtidos desde 2003) permitiram ao Brasil acumular reservas e também reduzir o montante da dívida. Em 2005, por exemplo, o governo brasileiro liquidou seu passivo com o FMI (Fundo Monetário Internacional).

Declarações - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, em declarações à imprensa, disse que essa mudança de devedor a credor pode levar o país ao grau de investimento (o investment grade é a classificação dada por agências de risco aos países considerados mais seguros para investir) ainda este ano e que esses bons indicadores tornam o país mais resistente às crises externas.

A análise é semelhante à do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que afirmou, em nota, que "este feito é resultado direto da implementação, nos últimos anos, de políticas macroeconômicas responsáveis e consistentes, baseadas no tripé responsabilidade fiscal, câmbio flutuante e metas para a inflação. Esse tripé tem assegurado uma melhora gradativa dos nossos fundamentos fiscais e externos, o que aumenta a resistência da economia a choques adversos".

Mello é contra o Territórios da Cidadania (era cilada da Folha)


Pois é: a declaração abaixo foi invenção da Folha de SP...Afirma Mello que nunca se posicionou contra o Territórios, embora a Folha tenha  publicado textualmente, a recomendação de que os partidos de oposição, segundo Mello, poderiam recorrer ao Tribunal.

Mas o silêncio de Mello é suspeito, então vale a nota mais abaixo...

___________

Por PHA

. Um título da Folha, na edição de terça-feira, dia 26, disse o seguinte: "Projeto pode ser contestado, diz Marco Aurélio".
. O texto diz assim: "O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Marco Aurélio Mello, disse ontem que o lançamento do Territórios da Cidadania em ano eleitoral poderá ser contestado judicialmente".
. O Conversa Afiada pediu ao Ministro (?) Mello para confirmar a declaração que a Folha lhe atribuiu: o programa "Territórios da Cidadania" pode cair no Supremo.
. Veja a resposta do Ministro (?) Mello, repassada ao Conversa Afiada por seu assessor de imprensa Renato Parente:
. "O Ministro Marco Aurélio Mello não comentou sobre o programa Territórios da Cidadania".
. Logo, a Folha inventou uma declaração do Ministro (?) Mello.
. O título da Folha e o silêncio de Mello, que não corrigiu a Folha imediatamente, provocaram uma falsa crise institucional: uma crise entre o Judiciário e o Executivo.


Mello é contra o Territórios da Cidadania


Comentário: De novo Marco Aurélio Mello (TSE) se mete onde não foi chamado. Como juiz deveria respeitar a imparcialidade, e o apartidarismo de sua posição.

No início da semana, ele "convocou" a oposição para ir ao Supremo contestar o projeto Territórios da Cidadania lançado pelo governo Federal.

Ele já tinha se pronunciado contra as obras nas favelas cariocas e ampliação do Bolsa Família.

Não parece ser a posição de um magistrado prestar consultorias a quem quer que seja.

A imprensa já se pôs a disposição para fazer do projeto um atentado contra a lei eleitoral.

Engraçado é que a imprensa não se põe contra o verdadeiro populismo do governo, que é o dolar baixo.

O dolar baixo nada mais que um populismo de classe média, visto que facilita viagens ao exterior, compra de carros, compra de importados, etc.

Só no ano passado, com o dólar baixo, a classe média brasileira gastou no exterior os mesmos 6 bilhões de dólares empregados no Bolsa Família.

Só que o Bolsa Família reduziu radicalmente a mortalidade infantil, e viagens ao exterior só levam divisas embora.

O dólar baixo prejudica o país que tem diversos setores exportadores travados, perdendo competitividade internacional.

Mas populismo de classe média não é um mal em si mesmo, segundo a mídia.

Vamos ver no que dá.

Obs. Marco Aurélio Mello tem um salário de 24.5 mil reais por mês.

Mas contesta os 100 reais recebidos pelas famílias em situação de precariedade. E não contesta a queda no preço dos carros importados.

______________________________________________________________

Aqui um artigo interessante sobre o programa Territórios da Cidadania.


Maria Inês Nassif, Valor Econômico

    As eleições de 2006 desarrumaram o arranjo tradicional, onde os chefes políticos locais levam o rebanho até o candidato apoiado pelo chefe estadual e este, por sua vez, negocia favores da política nacional.

   Esse desarranjo foi favorecido não apenas pelo Bolsa Família, mas também pela universalização do uso da urna eletrônica, guardiã do segredo do voto. Como o chefe político local não era o dono do benefício concedido ao pobre - que vinha na forma de um cadastramento feito pela prefeitura, mas que depois se tornava uma relação entre o beneficiado e o banco onde ele recebe o dinheiro - não era também aquele a quem se deveria retribuir com o voto.

   Aconteceu de forma bastante ampla, em 2006, uma inversão do que ocorria tradicionalmente: em vez do chefe local dizer em quem o eleitor teria que votar - e já não teria total controle sobre esse voto, que é eletrônico -, foi o chefe quem correu atrás do candidato do cidadão pobre.

   Lula conseguiu apoios nada desprezíveis de prefeitos de todos os partidos. E certamente não foi porque os prefeitos tinham se tornado petistas. Eles simplesmente adiaram um confronto com seus eleitores - reconciliaram-se com eles por meio de uma adesão pontual ao candidato à reeleição para a Presidência.

   O efeito Bolsa Família, que foi tão desprezado até o início do processo eleitoral de 2006, é hoje um risco para os políticos tradicionais. A oposição não pode falar contra o programa de transferência de renda - isso é evidentemente impopular -, mas cristalizou uma clara aversão a programas sociais mais amplos, em especial os saídos da lavra deste governo.
   Não é de se estranhar a reação pronta do ex-PFL, hoje DEM, que promete sustar o programa Territórios da Cidadania na Justiça, por ter sido lançado em ano eleitoral - o que o tornaria ilegal.
   O programa anunciado por Lula pode até surtir efeitos eleitorais, mas a sua única novidade - e boa novidade, aliás - é a ação integrada de programas já existentes, em bolsões de pobreza localizados na área rural.
   O que o governo anunciou, na verdade, foi um conceito de gerência de programas sociais que já se antevia no Bolsa Família, que agregou na sua origem vários programas dispersos, e nas ações do Ministério do Desenvolvimento Social, que articula ações de vários ministérios.
   No caso do Territórios da Cidadania, a coordenação é do Ministério do Desenvolvimento Agrário, mas até o Ministério da Cultura está envolvido. E tem uma lógica que não é simplesmente eleitoral: é voltado para as populações agrárias porque elas são as que vivem nas regiões de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mais baixos do país; atende localidades mais beneficiadas pelo Bolsa Família porque esse é um indicador de miséria; atendem a um planejamento local, feito por colegiados, onde estão representados também prefeitos e representantes dos governos estaduais, além das comunidades.
   Teoricamente, o fato de abrigar nos colegiados os prefeitos, independente do partido a que pertençam, despem o programa de caráter eleitoral. Mas, na prática, esses colegiados tiram do prefeito, ou dos deputados que são eleitos por essa população, a "autoria" do benefício à comunidade.
   Os colegiados são a antiemenda parlamentar. Do outro lado, podem diluir a responsabilidade do governo federal sobre os programas, já que todas as unidades da federação estão lá representadas. O jogo está zerado, portanto. O que definirá o voto desses eleitores é como os políticos se adeqüam a uma realidade onde gradativamente são trazidos ao mercado de consumo um grande número de brasileiros, que a partir de então passam a ter novas exigências que não a sobrevivência imediata.
   Há um enorme ganho, inclusive fiscal, nesse conceito gerencial. Atender uma região com o Pronaf sem que a agricultura familiar tenha assistência técnica, ou infraestrutura para escoamento da produção, ou mesmo educação para trazer a economia de subsistência para o capitalismo, é jogar o Pronaf fora.
   Dar Bolsa Família sem viabilizar à agricultura familiar uma atividade produtiva é eternizar o Bolsa Família. Incentivar o beneficiamento da produção em cooperativa sem que a região tenha luz elétrica é jogar produção no lixo. Miríade de programas sociais que não se integram jogam dinheiro público fora e não alteram em nada a vida da população.
   Fora alguns conselhos que já se reuniram para debater a prioridade de seus Territórios de Cidadania, ele ainda é uma intenção. Se o governo Lula tiver capacidade para implantar esse modelo gerencial de programas sociais, será um ganho para o país. Isso é com o Executivo.
   Quanto aos políticos, o que eles devem fazer, se a intenção declarada do governo tornar-se de fato um programa bem-sucedido, é repensar a forma de arregimentar eleitores. Ações que desintermediam o voto podem até beneficiar um primeiro governo, aquele que o implantou (e esse efeito pode ter ocorrido já no passado, na reeleição de Lula), mas depois passam a ser neutras politicamente. Daí, ganha votos quem fizer a melhor política.

Jobim: uma lição no jornalismo tapioca

Comentário: Como não deu para emplacar uma crise da febre amarela, a Folha de SP agora se volta para "a crise das diárias", "das tapiocas", "dos cartões corporativos", "das corridas de taxi", etc.

Como se sabe o país está pensando em reformular o seu parque industrial militar. Com isso, o ministro Jobim está visitando alguns países, como a França (recebido pelo próprio Sarkozy) e agora na Rússia.

São visitas protocolares e de avaliação de ofertas. O repórter da Folha não falou de estratégias, não falou de investimentos, não falou das necessidades do país. Foi à Rússia, xeretar....diárias.

Isso mesmo. O repórter perdeu tempo indo aos balcões dos hotéis perguntando quanto Nelson Jobim gastou com hotel, comidinha, se o governo russo pagou, não pagou, etc. Isso não é sério. Não pode ser sério.

Mas nenhuma linha sobre a tecnologia russa de defesa. Nem sobre a tecnologia francesa. È mole?

A entrevista
A entrevista do repórter Rubens Valente com o Ministro Jobim:
"Não é nenhum lobby russo, é convite do ministro", diz Jobim

DO ENVIADO A SÃO PETERSBURGO


FOLHA - A empresa Rosoboronexport [que oferece produtos militares ao Ministério da Defesa] é uma estatal, mantida pelo governo russo. Percebo que toda a viagem aqui é organizada pelos russos, transporte aéreo, hospedagem, eventuais almoços, jantares. Como o sr. vê esse lobby russo em relação ao Ministério da Defesa?
NELSON JOBIM - Não é nenhum lobby russo, isso é convite do ministro da Defesa. O ministro nos convidou, viemos a convite deles, exclusivamente nesse sentido. Nós fazemos a mesma coisa. Quando os russos vão ao Brasil, nós fazemos todo esse atendimento, isso é normal, absolutamente normal. Não há nenhuma relação de que, com isso, estariam comprando decisões, absolutamente. Há uma viagem, a convite do governo russo, em que ele se dispõe a nos ofer... a nos mostrar coisas. Então estamos aí, examinando.

FOLHA - E quanto ao jantar com a Dassault, que também é eventual fornecedora de equipamentos? O sr. acha natural?
JOBIM - Absolutamente natural. Ou a Folha de S.Paulo não janta com os outros jornais, com os fornecedores de papéis de vocês?

FOLHA - Eu não sei responder pelo jornal. Mas é uma empresa privada.
JOBIM - Não tem problema nenhum, absolutamente. Você veja que a perspectiva de sua pergunta mostra, digamos, a distorção da visão que está tendo o jornal, a imprensa brasileira, com as necessidades do Brasil. Nós temos que pensar grande, não podemos pensar pequeno.

FOLHA - A pergunta é minha, como repórter.
JOBIM - Estou dizendo que a sua pergunta mostra claramente que a posição de vocês é pensar pequeno. No Brasil acabou essa história. Temos que pensar grande, no desenvolvimento do país.