quarta-feira, 23 de abril de 2008

Holanda treina tropas na Amazônia

Publicado em 06/04/08 pelo(a) wiki repórter Cesar, São Paulo-SP

2008: Soldados holandeses na Amazônia. - Foto: Associated Press

Causou estranheza nos meios militares brasileiros, e certa preocupação nos que acompanham os avanços dissimulados das nações mundiais sobre a Amazônia brasileira.

Pela primeira vez, nesses dois últimos meses, tropas holandesas treinam para Guerra na Selva no Suriname, após um acordo entre os governos do Suriname e Holanda, próximo à fronteira com o Brasil e sob protestos da população e da mídia local que sempre apresentaram franco antagonismo ao seu ex-colonizador.

Porque mais uma nação européia estaria treinando seus militares para guerra na Amazônia? Sabendo-se que são os militares brasileiros que ministram esse curso de longa data a oficiais do Suriname aqui no Brasil? 

Cronograma preocupante de 2000 para cá:

- Tropas britânicas passam a treinar para guerra na selva na Guiana Inglesa, fazendo incursões noturnas a vilarejos brasileiros na fronteria..

- A França inaugura no quartel da Legião Estrangeira o curso de guerra na selva na Guiana Francesa e envia regularmente suas tropas para lá, além de receber também algumas do Suriname.

- Aumentam em 5 vezes o número de ONGs internacionais no Estado de Roraima, fronteiriço às Guianas acima citadas. São ONGs francesas, dos EUA, Inglaterra, Canadá e holandesas.

- Lula decreta que 42% do Estado de Roraima passa a ser reserva intocável, sem obedecer as orientações do EMFA, para preservar uma faixa de exclusão na fronteira com esses países-colônia, garantindo a soberania nacional. Os países acima enviam cumprimentos oficiais ao ato de Lula.

- Lula ordena que se retirem todos os brasileiros não índios da reserva decretada. Detalhe: uma área quase do tamanho de Estado de São Paulo para poucos índios. O Exército brasileiro mostra desagrado com a ordem, que eliminará todos os rizicultores de alta produtividade desse Estado, riquíssimo em jazidas minerais estratégicas.

- Os EUA propõem a esses países a adoção de um modelo padrão de caminhões militares dos EUA, desenvolvidos para o transporte em condições amazônicas, e envia lotes dos veículos às Guianas Holandesa e Francesa para os testarem e desenvolverem em conjunto o aperfeiçoamento do projeto

Os números projetados para o envio desses veículos a esses países, são muito superiores às necessidades militares dos mesmos. (Jane's Military Magazine, 11/2007). Para quê?

- Lula veta a solicitação do EMFA para envio de mais tropas militares às fronteiras de Roraima e também para a compra de material militar para defesa na região.

Na mídia européia, há anos se cogita abertamente a possibilidade futura em formar-se uma força de coalizão entre exércitos europeus, chefiada pelos EUA, com o intuito de "salvarem a Amazônia da destruição pelo Brasil"; ou "salvarem o território vasto que é patrimônio de toda a Humanidade". Mesmo usando-se para isso de um conflito local entre países sulamericanos, como o visto recentemente entre Equador-Colômbia e Venezuela.

Em restaurantes e carros ingleses é comum encontrar-se cartazes e adesivos com as frases: "Save the Amazon! Burn a brazilian!" (Salve a Amazônia, queime um brasileiro!) , ou "EuroAmazon, the future!".

Fato que eu próprio confirmei em outubro de 2002, em Londres.

Sem paranóia, teorias conspiratórias ou xenofobia alguma, a situação é preocupante e progride sem atitude por parte do nosso governo federal, que mais parece um sócio nisso tudo.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Caso Nardoni: 75% criticam cobertura da mídia


Comentário: Não são poucos os que se incomodam com a cobertura parcializada e sensacionalista da mídia para o caso Nardoni.

Aqui o resultado de uma enquete do IG. O que é mais incrível 3/4 acreditam que a cobertura não é informativa nem investigativa. O que mostra que a credibilidade é um produto precioso. Às vezes.

Mas como podemos definir o sensacionalismo? Arrisco uma:

Processo de emocionalização da notícia. Exploração dos sentimentos, geralmente, negativos, e acentuação do sofrimento e da dor com fins comerciais. Exploração ou fomento da catarse e do interesse mórbido do público.


Resultado

Como avalia a cobertura da mídia sobre o caso Isabella Nardoni?

1. Informativa   12% 2858 votos
2. Investigativa   15% 3468 votos
3. Sensacionalista   73% 17101 votos
     Total: 23427 votos

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Caso Nardoni: uma nova Escola Base?


Olá pessoal, lanço aqui uma proposta de reflexão:

A incriminação antecipada do pai da Isabela e de sua esposa (a madrasta) vem se tornando um prato cheio para o próximo capítulo: Escola Base II.


Este caso é singular porque, não estando inserido numa guerra política, dá para perceber exatamente aquilo para o que chamamos a atenção: o tratamento de um suspeito como criminoso.

Quando a questão está no campo político, o crítico é sempre suscetível de ser acusado de "defensor de indefensáveis".

Mas as práticas abusivas de imprensa nem sempre escolhem cor, bandeira, time.

Um ótimo tema monográfico. Um ótimo tema de debate.

È sempre bom lembrar: a mídia é poder. E poder tende à coerção, à violência, mesmo que simbólica.

Afinal, defender a imprensa é defender a boa imprensa. E principalmente defender a sociedade desse mega-poder.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Um novo dossiê Cayman? Como se fabrica uma crise!


Abaixo matéria do Terra com Álvaro Dias e aqui o tal dossiê.



Comentário: É mais um dossiê Cayman, forjado contra o governo FHC, só que agora do outro lado. Os ingredientes são os mesmos: interesse político e irresponsabilidade da imprensa.

Os dados sempre existiram. O senador Álvaro Dias teve acesso aos dados e passou à revista Veja como uma "armação da Casa Civil" para "chantagear a oposição".

No dia 22 de março, A Veja publicou "o novo escândalo" fabricado, mas escondeu a fonte, não informando o interesse que o senador tinha no caso.

O diretor-presidente da revista, Civita, desconfiado da validade das informações, resolveu pedir que a Casa Civil fosse ouvida também.

Os redadores da Veja (Eurípedes Alcântara, incluído) repassaram as informações para a Folha de São Paulo, visto que se sentiam impossibilitados de sustentar a falsa versão.

A Folha pegou o caso, no dia 26, e manteve o "ar de escândalo". Não informou qual fonte, e nem que ela tinha interesse em desgastar a ministra Dilma Roussef. Na reportagem, publicada no dia 27, uma secretária foi acusada.

O jornal Correio Brasiliense começou a apurar a armação no dia seguinte. Tudo levava a crer que a própria oposição forjara o "escândalo".

Ricardo Noblat, que tem contatos na empresa porque foi ex-editor do jornal, vazou a notícia em seu blog para reduzir os danos com a revelação do caso. Mas deu a informação cifrada.

Ontem, o Terra pressionou Álvaro Dias. Ele acabou confessando, embora tergiversasse.

Em anexo o tal dossiê: gastos comuns palacianos, como suplementos alimentares.

* Obs. Quando não se puder revelar a fonte, deve-se informar ao menos o interesse que ela tem na informação. Regra 01 do jornalismo responsável ante casos de OFF.

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Álvaro Dias admite que foi fonte da Veja

Em conversa com Terra Magazine, Álvaro Dias sustenta que não há nenhum ilícito em "conversar com jornalistas". E que a revista tem outras fontes que não apenas ele:
- Se eventualmente contribuí com informações para que a matéria pudesse ser veiculada, altera a responsabilidade do governo na confecção do dossiê? É evidente que não. Isso exime o governo de responsabilidade? É óbvio que não.
Leia a entrevista do senador do PSDB:
O senhor admitiu que viu as informações antes de elas serem tornadas públicas. Em que circunstâncias isso aconteceu?
Álvaro Dias - Olha, o jornalismo investigativo tem prestado um grande serviço ao País, seria muito pior a degradação das instituições, não fosse a competência e a ousadia do nosso jornalismo de investigação. E isso se dá em razão de fontes. O jornalistas se utiliza de muitas fontes. Uma revista do porte da Veja, que só no escândalo do mensalão divulgou, se não me falha a memória, matérias de capa 17 vezes, não contou com apenas uma fonte. Certamente valeu-se de muitas fontes de informação. Eu tenho sido ouvido por muitos jornalistas, do Terra, de outros sites, de jornais, emissoras de TV e certamente outros parlamentares da mesma forma. Esse é o caminho para se produzir a informação.
O senhor então foi uma das fontes de informação desses jornalistas?
É evidente que é meu dever responder questões formuladas por jornalistas, e eu tenho feito. Obviamente, o que pretende o governo agora é tirar o foco, o governo não quer mostrar as suas contas. Mostra as do governo passado mas esconde as suas. E pretende exatamente desviar o foco do debate.
O senhor então foi fonte de informação do jornalista da Veja? Não a única, mas uma das?
(silêncio) Qual é a importância disso? Eu pergunto. Obviamente a Veja tem fontes no Palácio do Planalto... Qual é o ilícito em conversar com jornalistas, como eu estou conversando com você? Qual é o ilícito? Enfim, é surrealista essa história. Acho que o governo subestima a inteligência das pessoas, preparando uma estratégia como essa, tentando repassar responsabilidades. Se eventualmente contribuí com informações para que a matéria pudesse ser veiculada, altera a responsabilidade do governo na confecção do dossiê? É evidente que não. Isso exime o governo de responsabilidade? É óbvio que não. Então não há porque priorizar essa discussão, que a partir de ontem à tarde, priorizaram.
Certo. E se não há ilícito nenhum, também não há problema nenhum em admitir que o senhor foi uma das fontes, certo?
Uma das fontes é natural que eu tenha sido. Provavelmente alguma opinião minha pode ter tido alguma importância. Acho que estão superdimensionando a minha capacidade de obter informações.
Entendi. Mas o senhor obteve esse dossiê de que maneira? No Palácio do Planalto?
Eu não tenho o dossiê. Eu tenho informações sobre o dossiê. Como muitos possuem. Agora, quem mais tem informações sobre o dossiê é o presidente da República e a ministra Dilma (Rousseff, da Casa Civil). Ela mesma, em São Paulo, no dia 17 de fevereiro, declarou taxativamente: "não vamos apanhar quieto, estamos fazendo levantamento de dados do governo passado". Ela sim tem todas as informações e é a melhor fonte.