quinta-feira, 29 de maio de 2008

Manifesto contra as cotas!


Somos contra cotas para quem pode pagar pré-vestibulares caros para passar na Universidade Pública. Decrete-se: pagou mais, não leva. Isso é dopping escolar. Afinal, a questão não é de mérito?

Trata-se de um sistema cruel que não avalia capacidade de entrada, mas capacidade de gabaritar questões em 24 horas para se mostrar incompetente mais à frente.

A avaliação da Unicamp sobre o melhor desempenho dos cotistas sociais mostra isso: havia um engodo, agora descoberto.

Aqueles que estavam na universidade nem sempre eram melhores do que aqueles que ficavam de fora.

Mas há outros tipos de cotas que devem ser abolidas do país.

Cotas para brancos em telenovelas!

A novela das oito que agora acaba, Duas Caras, tem cerca de 8 negros no elenco. Entre 110 no total.

Somos contra as cotas para mulheres brancas em cargos de secretárias, atendentes de público, em médias e grandes empresas.

Estas cotas são exageradas: cerca de 95% destas vagas são reservados para elas. Poderiam ser de apenas 55%.

Somos contra cotas na publicidade e em capas de revista. Pode-se muito bem dividir esse bolo entre negros, mestiços e brancos.

Não estamos na Dinamarca, na Suécia ou coisa sim. Estamos no Brasil, e quero acreditar que um dia teremos democracia racial, além do futebol e da música.

Somos contra as cotas na progressão de empregos.

Afinal, o IBGE já provou estatisticamente que negros com a mesma formação recebem pouco mais do que a metade dos salários de brancos (por dificuldade de promoção, já que há cotas não reveladas para brancos, ou simplesmente por ser preterido na contratação para os melhores cargos, visto que há outras tantas cotas também nesse quesito).

Vamos lutar contra estas cotas latentes, silenciosas, perniciosas, estúpidas, que apenas eternizam um país injusto e desigual entre etnias.

Elas funcionam como se não existissem. São perniciosas sem revelar os seus males. São estúpidas, mas são apenas vistas como fatos consumados de uma realidade que, no entanto, pode ser contestada.

Mas estas cotas nunca estão em discussão. Ninguém faz manifesto contra estas cotas.

Ninguém não.

Nós fazemos!!!

Portanto, acesso livre a todos. Sem cotas. Apenas por mérito.

Mas o verdadeiro mérito.

MoNaCoFa
Movimento Nacional contra as Cotas de Fato

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Miro Teixeira quer criar um monstro!

Comentário: No  país do tudo pode, o deputado Miro Teixeira luta pela plena liberdade de imprensa. Parabéns.
Mas esquece que a liberdade termina quando começa o direito do outro.
Olha o absurdo da proposta: "devem ficar impedidos de processar jornalistas, sob alegação de dano moral e outros, todos os que exercem função pública. Sejam autoridades governamentais, parlamentares, servidores concursados ou não, lideranças religiosas ou classistas, entre tantos."
Ou seja, se você é professor de uma entidade pública de pesquisa, se for difamado ou caluniado,  não poderá processar o jornalista, sob pena de você vir a ser acusado de danos morais.
Entenderam? O projeto não só cria uma classe de indefensáveis, como cria uma outra classe de pessoas acima da lei. Será que a mão de alguma revista por trás disso?
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Ver com horror e espanto o artigo de Janio de Freitas.



Jânio de Freitas, na Folha de hoje
O jornalismo tem direitos e, acima deles, tem ainda seus típicos e onerosos deveres sociais, cívicos e morais

A IDÉIA DE que a liberdade de imprensa depende da inexistência de regulamentação legal específica, seja ou não voltada só para a imprensa, foi levada por seu mais ativo defensor atual, deputado Miro Teixeira, a uma inovação conceitual que nada tem, ou teve, sequer de parecido aqui ou mundo afora.
Já autor da ação que provocou a recente e temporária suspensão de parte da Lei de Imprensa em vigor (o julgamento final da ação ainda não tem data no Supremo Tribunal Federal), Miro Teixeira apresentou sua nova proposta na 3ª Conferência Legislativa sobre Liberdade de Imprensa: além da ausência plena de dispositivo legal sobre exercício da imprensa, devem ficar impedidos de processar jornalistas, sob alegação de dano moral e outros, todos os que exercem função pública. Sejam autoridades governamentais, parlamentares, servidores concursados ou não, lideranças religiosas ou classistas, entre tantos.
A inovação não se encerra aí. Também os procedimentos de defesa, por quem se considere atingido, deixariam de conter o direito de resposta e a eventual publicação da sentença condenatória. Ao pretenso ofendido caberia, se quisesse, oferecer-se a uma entrevista e, por esse ou por modos equivalentes, disputar com o noticiário a publicação de sua defesa.
Estou entre os que acham, mais do que necessária, indispensável a existência de legislação reguladora do exercício da imprensa e, portanto, da sua contraparte, que são os objetos (pessoas e atividades) do publicado.
A preservação da liberdade de imprensa e dos direitos democráticos não está na existência de regulamentação, mas no seu sentido e nos propósitos e nas abrangências que estabeleça. Dá uma idéia desse princípio a lembrança de que, assim como os objetos da imprensa têm direitos, o jornalismo também os tem e, acima deles, tem ainda os seus típicos e onerosos deveres sociais, cívicos e morais. Direitos e propósitos contrapostos requerem regulação e, às vezes, a mediação que é o Judiciário.
O impedimento de procedimentos judiciais de defesa, justificada ou não, por parte de "agentes da vida pública" começa por estabelecer uma diferenciação antidemocrática nos direitos gerais da cidadania, com a criação da subclasse dos indefesos morais. Em nome da liberdade, introduz a discriminação no acesso aos direitos civis.
É, na relação entre imprensa, direitos e sociedade, o regime totalitário às avessas mas tão totalitário quanto em sua modalidade convencional.
Mais para não ser faltoso, do que por necessidade, fica aqui o registro de que, a deixar a pretensa defesa na disputa por espaço no noticiário, ou seja, à vontade da imprensa, todos sabem que a regra mais adotada seria a de mais ataque e nada de defesa. Originário da imprensa, que foi sua rampa de acesso aos primeiros mandatos, o deputado Miro Teixeira talvez esquecesse, mas sabe que seria assim.
É constrangedor dizer isto, mas aí vai: o problema para ter-se imprensa séria e democrática é a contenção das tantas irresponsabilidades. Não é o caso, aqui, de considerar suas diferentes procedências ou possíveis motivações. Mas impedir o direito de defesa de "agentes da vida pública", a título de impedi-los de "ocultar, intimidar e impedir investigações", seria liberar todas as irresponsabilidades. E, em alguma medida, seria mesmo abrir as portas para chantagens e negócios sujos.
O assunto imprensa é mais complicado, sob todos os ângulos, do que parece. Mais complicado para dentro e para fora da imprensa.