quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Valerioduto: PF fura esquema da mídia


O esquema de denúncia seletiva contra membros e políticos ligados ao Governo Federal, e formação pela mídia de uma cortina de fumaça em torno da origem do valerioduto estão sendo furados pela Polícia Federal.

Como se sabe, o esquema basicamente é o mesmo desde 1998, tanto em Minas Gerais quanto em nível federal: ajuda em campanha por caixa dois e favorecimento nas contas publicitárias mais tarde, esquema que levou Marcos Valério a ganhar a conta do Banco do Brasil no governo Fernando Henrique.

Como o atual procurador geral da República não pode fazer investigações de fatos acontecidos antes de seu mandato, e como o anterior também nunca se interessou em desvendar os problemas relativos ao partido do governo Fernando Henrique, (daí ter sido Aristides Junqueira apelidado de Engavetador Geral da República), a PF resolveu perseguir o esquema por conta própria.

Há indícios de que a reportagem da Veja sobre "O Estado Policial" que a revista acusa existir no Brasil tem a ver com esta investigação - antecipando o que pode ser a próxima jogada da mídia: "Denunciar a operação da Polícia Federal como "vingança" política contra os tucanos".

A idéia é apresentar ao público a versão de que a Polícia Federal, ao apurar políticos peessedebistas, estaria repetindo a perseguição política dos anos de chumbo.

O que seria o mais novo escândalo do governo Lula.

Na matéria logo abaixo de Helena Chagas, a investigação da PF, e em seguida, uma reportagem divulgada sem muita repercussão no Estado de SP, mostrando a continuidade das operações.

As investigações da CPI geraram 400 páginas, mas apenas uma linha foi dedicada ao esquema que beneficiou Eduardo Azeredo.

Valerioduto do PSDB de Minas também vai para o STF

Do blog de Helena Chagas
Vocês me perguntam com insistência: onde estão as reportagens sobre o valerioduto mineiro, aquele que teria sido o primeiro esquema montado por Marcos Valério para financiamento de partidos e políticos em troca de vantagens, só que tendo como parceiro o PSDB e a campanha do então governador Eduardo Azeredo à reeleição para o governo de Minas. Eu respondo: não sei onde estão as reportagens.

Mas sei de uma coisa: a Polícia Federal já fechou as investigações no valerioduto mineiro, um inquérito separado do do mensalão, e já encaminhou ao Ministério Público para denúncia.

Pela lógica, essa denúncia deve ser apresentada em breve ao STF - já que entre os citados está um senador - e deverá ser remetida ao mesmo relator do outro caso, o ministro Joaquim Barbosa. Que, como vimos, não leva jeito de que vai aliviar não. Então, acho que é só uma questão de tempo para que o STF comece a julgar o valerioduto mineiro.
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BB REPASSOU R$ 23 MILHÕES À DNA SEM RECIBO - 22/12/2005


O ESTADO DE SÃO PAULO - 22/12/2005

O principal ponto do relatório parcial divulgado ontem é uma auditoria do Banco do Brasil que indica a falta de notas fiscais ou qualquer tipo de recibo que comprovem gastos de R$ 23,2 milhões, parte dos recursos transferidos pelo Banco do Brasil à agência de Marcos Valério para campanhas publicitárias dos cartões de bandeira Visa.
Segundo membros da CPI, a informação reforça os sinais colhidos de desvio de dinheiro público para o caixa dois do PT.

O valor sem comprovante está entre os R$ 73,8 milhões repassados entre maio de 2003 e junho de 2004 pelo BB à DNA Propaganda, de Marcos Valério.

O balanço da comissão apontou ainda o repasse de R$ 20,3 milhões de empresas do grupo Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas, e da Usiminas, à margem dos contratos mantidos pelas agências do publicitário mineiro. A CPI investiga fontes públicas e privadas de recursos nas contas das empresas de Marcos Valério, que movimentaram R$ 2,6 bilhões entre 1997 e 2005.

Apesar de o empresário também ter operado caixa dois do PSDB, o relatório de mais de 400 páginas divulgado ontem pela CPI dedica uma única linha à observação de que o valerioduto existia antes da posse de Luiz Inácio Lula da Silva no Planalto. "Precedente assemelhado ocorreu em Minas Gerais, em 1998", afirma o balanço da CPI, em referência ao esquema de caixa dois supostamente alimentado por empréstimos durante a campanha à reeleição do então governador tucano Eduardo Azeredo.

Auditoria interna do Banco do Brasil constatou que também no governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) houve irregularidades na gestão do dinheiro destinado à publicidade dos cartões de bandeira Visa pelo Banco do Brasil.

O relatório afirma que não foram localizados notas fiscais, faturas ou recibos de fornecedores ou prestadores de serviços que justificassem gastos de R$ 48,3 milhões pagos a duas agências de publicidade -DNA Propaganda e Lowe Lintas- em 2001 e 2002. As agências teriam sido notificadas pelo banco, mas nem assim providenciaram comprovantes dos gastos.

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