quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Sequestro: Globo censurou depoimento sobre interferência política

 
Comentário: tal qual a intromissão de Garotinho no caso 174, a operação policial no caso do sequestro de Santo André sofreu ingerência governamental. A pior: o maior especialista brasileiro em gerenciamento de crises foi afastado da operação. A confirmação só não veio a público no programa do Faustão e do Fantástico, porque parte da fala do especialista  Marcos Val foi censurada. Quase por acaso, por ser ao vivo, ele acabou denunciando a censura na Ana Maria Braga.
 
O propósito era óbvio: livrar o governo estadual paulista de ser culpabilizado por tal intromissão. O que mostra que o partidarismo da imprensa é absurdo no país. É quase um surto. Quase uma epidemia. Na semana passada, o ombudsman da Folha se indignou com a tendência partidária da Folha (matéria abaixo). Agora foi a vez da Globo.
 
Aqui está o link, onde Marcos de Val, instrutor da SWAT, diz que o programa do Faustão e Fantástico foi "editado". Aqui ele afirma que havia falado sobre a "vergonha (que) era de ver a política interferir na questão policial, pelo fato do maior especialista do mundo em gerenciamento de crises, De Luca, ter sido afastado; pelo fato do governo não investir em treinamento". Saiu algo como a "vergonha de ser policial", por efeito da edição.
 
 
 
Crítica do Ombudsman
 
 
Faça o que eu não faço
Do ombudsman da Folha, Carlos Eduardo Lins da Silva
 
Faça o que digo, não o que faço

A Folha acha a vida pessoal dos candidatos desimportante para decisões eleitorais. É inexplicável por que deu tanto espaço e destaque a temas relacionados à condição conjugal do prefeito de São Paulo.
 
Todos os temas de políticas públicas, cerne da discussão para os eleitores decidirem seu voto, desapareceram do jornal de segunda a sexta.
O estado civil de Gilberto Kassab (DEM) gerou quatro chamadas de capa, 11 abres de página, 24 matérias, oito colunas, seis notas, 19 cartas de leitores, 1.172 centímetros de textos noticiosos (cerca de quatro páginas cheias).
Até o correspondente em Pequim foi mobilizado para escrever sobre o assunto, embora ele venha sendo muito pouco utilizado na cobertura da crise econômica, em que o papel da China é vital.
 
Este exagero despropositado é grave erro editorial. Se o jornal acha que a vida íntima do prefeito não é relevante, por que lhe dá tanto relevo?
 
Além de incentivar a degradação do ambiente político, a decisão incoerente de tornar tal caso o prioritário da campanha do segundo turno provocou desequilíbrio total no tratamento até então relativamente justo que o jornal vinha dando aos dois candidatos.
 
Marta Suplicy recebeu nestes cinco dias uma carga de matérias negativas absolutamente desproporcional em relação a seu adversário.
 
Por exemplo, ela foi alvo de oito textos opinativos críticos; Kassab, de nenhum. Das 19 cartas publicadas, 15 foram contra Marta. Registre-se que o "Painel do Leitor" recebeu 224 cartas contra ela e 55 a favor. Mas para o ombudsman, a relação foi inversa: 36 pró e 8 contra a ex-prefeita.
 
Ao estimular o bate-boca indigente e ajudar para que o insinuado na propaganda do PT ficasse explícito, o jornal abriu mão de fomentar o debate sadio. Ele nunca deveria se prestar ao trabalho sujo que outros veículos fazem com muito prazer e competência.
 
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Aqui ele se refere à Veja.

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