quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Da série: notícia ruim é sempre a melhor!



Comentário: O extraordinário PIB brasileiro para o terceiro semestre gerou esperanças de que a crise não bata tão forte no país. Mas qual foi a ênfase dos jornais?

Lógico. Apostar no pior. O Globo, por exemplo, não mancheteia o PIB, mas sim o freio no melhor momento. E entre um índice de 0.4 e 1.0 % de retração, adivinha qual ele escolhe para o título?

Mesmo que a ênfase da matéria seja o índice menos pior. Observe.


Economia pode recuar até 1% no 4º trimestre


RIO - O anúncio nesta terça-feira de que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil avançou 1,8% no terceiro trimestre, frente ao período imediatamente anterior, e 6,8%, na comparação anual, mais do que o esperado, está obrigando os analistas a refazerem suas previsões de variação negativa para o quarto trimestre. A maioria acredita agora que a economia ainda vai crescer nos últimos três meses do ano, mas não há consenso sobre os números, devido às incertezas sobre o tamanho do impacto da crise financeira global no Brasil. Entretanto, todos prevêem resultado menor do que o registrado no terceiro trimestre.


Bancos e consultorias receberam os dados sobre o bom desempenho da economia no terceiro trimestre como a última boa notícia após a piora da crise global. Isso porque, afirmam os analistas ouvidos pelo Globo, os impactos sobre a confiança dos consumidores e a oferta de crédito para compra de produtos vão provocar a retração do Produto Interno Bruto (PIB) no último trimestre deste ano. Segundo reportagem do Globo, nesta terça-fdeira, as previsões são de que a economia vai encolher de 0,4% a 1% entre outubro e dezembro deste ano, frente aos três meses anteriores. Para 2008 como um todo, apostam em alta de 4,9% a 6% e, para 2009, de 1,08% a 3%.

" Ainda vamos refazer as contas, mas agora a projeção deve ficar em torno de estabilidade e crescimento de 0,4% "

Segundo Marcela Prada, economista da Tendências, a queda do PIB no quarto trimestre será de 0,4%. Segundo ela, o resultado será puxado para baixo pelo consumo das famílias, que deve desacelerar após a alta de 7,3% de julho a setembro deste ano ante igual período de 2007.

- A crise não afetou os resultados do PIB do último trimestre. Mas, agora, a demanda está em forte desaceleração. Com a crise e a desconfiança, o consumo tende a recuar como um todo.

- Até ontem, antes da divulgação do PIB do 3º trimestre e também da revisão dos anteriores, a gente trabalhava com um retração do 4º trimestre de 0,5%. Ainda vamos refazer as contas, mas agora a projeção deve ficar em torno de estabilidade e crescimento de 0,4% - explicou o economista Bráulio Borges, da LCA Consultoria, em entrevista ao blog da Míriam Leitão . Ele prevê que a recessão pode ficar para segundo trimestre de 2009.

- Infelizmente, esses números excelentes, muito melhores do que qualquer um podia imaginar, são um retrato do passado... A última projeção que temos é que estamos caminhando em território negativo (no quarto trimestre) - acrescentou Joel Bogdanski, consultor de análise econômica do Itaú.

Apesar dos dados positivos do terceiro trimestre, o economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto, continuou com as projeções pessimistas.

- O quarto trimestre, a gente sabe que não está indo nada bem. É um dado totalmente 'retrovisor' (o PIB do 3o trimestre) e pode fazer com que a queda esperada no quarto trimestre (no dado sazonal) seja ainda pior porque a base de comparação ficou maior - afirmou.

" O quarto trimestre, a gente sabe que não está indo nada bem "

O governo, por sua vez, manteve a postura otimista. Ao comemorar os números do terceiro trimestre divulgados nesta terça-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, projetou que o crescimento da economia no último trimestre do ano ficará entre 3% a 3,5% em relação ao mesmo período de 2007.

Segundo Mantega, o PIB deve ficar entre 5% e 5,5 % no ano, semelhante ao mesmo desempenho do ano passado que na sua avaliação é um dado ainda muito expressivo diante da crise internacional que já dura há mais de um ano.

Leia também: Meireles faz projeções positivas para economia brasileira.

" Para chegar a um crescimento de 5,7%, o mesmo de 2007, a expansão teria que ficar em 3,7% "
Já o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) evitou fazer projeções, mas informou que se a economia ficar estagnada no quarto trimestre, na comparação com o mesmo período de 2007, o país terá crescido 4,8% em 2008. Para alcançar uma taxa de 6% este ano, seria necessário que o avanço de outubro a dezembro ficasse em 4,9%, o que já representaria uma desaceleração forte frente ao terceiro trimestre que cresceu 6,8%.

- Para chegar a um crescimento de 5,7%, o mesmo de 2007, a expansão teria que ficar em 3,7% - disse Rebeca Palis, gerente de Contas Trimestrais do IBGE.

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