quinta-feira, 2 de agosto de 2007

O discreto charme da burguesia


Um toque de classe. Sabemos que nem sempre as novelas de Manoel Carlos são muito verossímeis.

Um roteiro de diálogos educados e finos. Uma legião do bem prontamente a impedir as maiores maldades. As preocupações existenciais reveladas pelos personagens. A tolerância com os pobres que não moram no Leblon; tudo isso parece paradisíaco demais para ser verdade.

Mas não se pode culpar Manoel Carlos. Suas novelas traduzem um desejo edificante de que nossa elite fosse melhor. De que nossa elite social e econômica fosse como uma linda canção de bossa nova.

Portanto, antes de criticar Manoel Carlos, temos que agradecê-lo por nos poupar na telinha de fatos como a queima de mendigos, o espancamento de prostitutas, e de empregadas domésticas. A ação dos pitboys, ofertando à sociedade terror e ódio contra homossexuais nas ruas de Ipanema.

Se, em Brasília, rapazes da classe média alta se satisfazem jogando bolsas com urina sobre os trabalhadores que esperam seus ônibus nos terminais, isto é real demais para levá-lo ao \"mundo possível\" da telinha.

Porque, da elite, espera-se o bom exemplo.

O Brasil quer ver na televisão uma classe abastada que revele sua disposição de comandar culturalmente o país.

Afinal, é desse grupo social, a elite, que saem os maiores produtores culturais, os diretores de TV, os maiores empresários, os maiores intelectuais.

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