terça-feira, 5 de agosto de 2008

No caso Dantas, Fruet quer transformar PF em réu


Comentário: É engenhosa a manobra para que, depois de quatro anos de investigação sobre o mega-banqueiro Daniel Dantas, a Polícia Federal se transforme em réu neste processo.

A partir da associação entre imprensa e a tropa de choque de Daniel no Congresso, o delegado que prendeu o banqueiro, acusado de lavagem de dinheiro, sonegação, falsidade ideológica, uso de laranjas para burlar o fisco, agora é que tem que se explicar.

O deputado mais empenhado nesta transformação da PF em réu e possivelmente de Daniel Dantas em vítima vem sendo, surpreendentemente, Gustavao Fruet, um dos parlamentares mais equilibrados das fileiras tucanas.

Ele poderia repensar o caso. Visto que é claro que ele não tem nada a temer.

Ou tem?


Da Folha online.

O deputado federal Gustavo Fruet (PSDB-PR), membro da CPI das Escutas Telefônicas, quer que a Polícia Federal explique os critérios usados para que a corporação obtivesse senhas das empresas telefônicas utilizadas na quebra de sigilo na Operação Satiagraha.


Segundo reportagem publicada na edição deste domingo (3) do jornal "Folha de S. Paulo", a PF teve acesso a todos os registros de chamadas telefônicas efetuadas no país. O acesso teria sido concedido pela Justiça para o registro das chamadas, mas não para a gravação de conversas.

Em entrevista à rádio CBN neste domingo, o deputado disse que vai questionar o delegado Protógenes Queiroz sobre o assunto. Protógenes deixou o comando da investigação no dia 15 de julho. Ele prestará depoimento à CPI na quarta-feira (6). Para Fruet, o acesso dos investigadores às senhas das telefônicas é o principal tema a ser explicado. 

Agentes que participam das investigações receberam senhas das operadoras para terem acesso ao cadastro de qualquer cliente que tenha ligado para os investigados por corrupção e crimes contra o sistema financeiro. Entre os suspeitos monitorados estão o banqueiro Daniel Dantas, do Banco Opportunity, o investidor Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta.

"Nós temos duas situações: primeiro, saber qual critério que permite essa postura. E segundo, se a partir desse tipo de postura não se permitiu um excesso de ampliar uma investigação ou ter acesso a informações que de forma alguma eram objetos da investigação", destacou Fruet em entrevista a Rádio CBN.


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