segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Furto de dados sigilosos da Petrobrás: espionagem?


Informações sobre Tupi, um campo que pode ter de 8 a 30 bilhões de barris de petróleo em reservas desperta a cobiça internacional. Polícia Federal desconfia de espionagem.


Só para ter uma idéia, se as reservas fossem realmente de 30 bilhões, o novo campo quase triplicaria a a produção brasileiro que hoje é pouco maior do que 13 bilhões, e já traz auto-suficiência. Sem contar os outros três campos recém descobertos.

As descobertas ganham em importância, porque desconfia-se que as reservas do Oriente Médio (que detêm 70 % da produção mundial) estão superestimadas em até três vezes, de acordo com o geólogo Collin Campbell (PHD Oxford).

Observe o quadro, e abaixo a reportagem sobre as investigações.

Números Oficiais Collin Campbell
Irã - 132.5 69.0
Iraque 115 61.0
Kuwait 101.5 54.0
Arábia S. 264.3 159.0
Emirados 94.7 44.0


PF trabalha com hipótese de espionagem em furto de dados da Petrobras

CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
com Agência Brasil
A Polícia Federal confirmou nesta quinta-feira a abertura de inquérito para investigar o furto de dois notebooks e um disco rígido com informações sobre atividades da Petrobras e descobertas recentes sobre petróleo e gás. Segundo a companhia petrolífera, as informações contidas no material --que era levado dentro de um contêiner transportado entre Santos (SP) e Macaé (RJ)-- são "estratégicas e sigilosas". A PF informou que trabalha com duas hipóteses: roubo simples ou espionagem industrial.
Por meio de nota, a Petrobras informou apenas que o furto foi feito de uma empresa terceirizada prestadora de serviços, mas não citou nomes. Segundo já confirmado pela PF, o contêiner era transportado pela norte-americana Halliburton --a empresa, porém, afirmou que não se pronunciará a pedido da petrolífera brasileira.
A delegada da PF em Macaé, Carla Dolinsk, afirmou que o caso está sendo apurado desde a última quinta-feira (dia 7), apesar de o furto ter sido informado no dia 1º de fevereiro.
"A Petrobras, que tem a maior parte das informações, nos forneceu informações genéricas sobre o fato. Nós instauramos o inquérito e determinamos algumas diligências. Só que, no entanto, quem tem a maior parte das informações é a própria Petrobras, que está fazendo uma apuração interna", afirmou a delegada em entrevista à Agência Brasil.
O contêiner estava em um navio que partira do porto de Santos (SP) no dia 18 de janeiro em direção a Macaé, município situado no Norte Fluminense, onde a Petrobras tem sua base de operações na Bacia de Campos. O contêiner chegou 12 dias depois, quando seguranças perceberam que o cadeado do contêiner fora violado. Além de avisar a polícia, a Petrobras informou ter realizado investigações internas.
Segundo Carla Dolinsk, os equipamentos furtados podem ser de propriedade da Halliburton e não da Petrobras, mas conteriam informações da estatal brasileira.
A Halliburton é uma das principais empresas prestadoras de serviços para o setor petrolífero do mundo e teve como um de seus executivos o vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney. O contrato com a Petrobras tem validade de quatro anos e valor de US$ 270 milhões.
Espionagem
Dolinsk explicou que a PF trabalha com duas hipóteses para o caso. A primeira seria o furto com objetivo de espionagem para obtenção de informações estratégicas. A outra seria um furto simples.
A PF realizou perícia no contêiner, cujo resultado não foi concluído. Carla Dolinski admitiu, contudo, que as chances de se conseguir informações por meio desta perícia são reduzidas, uma vez que o local não teria sido preservado.
A estatal não informou detalhes sobre o conteúdo dos dados roubados, nem se continham números sobre o megacampo de Tupi, na Bacia de Santos. A Petrobras também evitou comentar detalhes do furto, mas disse que possui cópias das informações.
Tupi
Anunciado em novembro do ano passado, o campo de Tupi tem uma reserva estimada pela Petrobras entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris de petróleo, sendo considerado uma das maiores descobertas de petróleo do mundo dos últimos sete anos.
O roubo ganha gravidade caso realmente se confirme que o contêiner tinha informações sobre Tupi. Devido à dimensão de suas possíveis reservas, o megacampo mexe com o mercado há meses.
Recentemente, as ações da estatal tiveram forte oscilação, após a empresa britânica BG Group (parceira do Brasil no campo, com 25%) ter divulgado nota estimando uma capacidade entre 12 bilhões e 30 bilhões de barris de petróleo equivalente em Tupi. A portuguesa Galp (10% do projeto) confirmou o número.
As reservas provadas de petróleo e gás natural da Petrobras no Brasil ficaram em 13,920 bilhões (barris de óleo equivalente) em 2007, segundo o critério adotado pela ANP (Agência Nacional do Petróleo). Ou seja, se a nova estimativa estiver correta, Tupi tem potencial para até dobrar o volume de óleo e gás que poderá ser extraído do subsolo brasileiro.

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