terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Febre Amarela: alarmismo está atrapalhando


Comentário: A divulgação dos casos e suspeitas de febre amarela pela mídia é tão alarmista que especialistas (Fiocruz, Ministério, Universidades) montaram uma operação de guerra para apagar o incêndio. Todo dia vem um e tenta acalmar a população.

Manchetes equivocadas que fazem coincidir a febre amarela silvestre com a urbana, que foi erradicada há mais de 50 anos; notícias de casos como se fossem inéditos (a média anual sempre variou ciclicamente entre 10 e 80 casos, incluindo mortes) somadas a um certo viés político da cobertura, estão levando milhares de pessoas a se vacinar sem necessidade, tirando a dose de quem realmente precisa.

A pergunta é: imprensa é para informar ou desinformar?
 
A propósito: A febre amarela silvestre só terminará quando todas as florestas tiverem "erradicadas" no Brasil.


Médico: divulgação de febre amarela é exagerada

O médico infectologista e diretor-clínico do Hospital das Clínicas, Dr. Marcos Boulos, afirmou hoje em entrevista ao TV Terra que a cobertura dos recentes casos de febre amarela pela imprensa no Brasil é exagerada. Segundo ele, todo ano há pequenos surtos localizados de febre amarela com algumas mortes e que isto não deveria ser motivo para alarde. "Em Divinópolis, na região metropolitana de Belo Horizonte, houve há seis anos um surto da doença com 17 mortes que teve divulgação semelhante à atual", comparou.

De acordo com Boulos, haveria motivo para preocupação apenas se a doença evoluísse de sua forma silvestre para avançar sobre as cidades - um tipo de surto que não acontece no Brasil desde 1942, explica Boulos.
Segundo o médico, enquanto nas florestas o ciclo básico da doença se desenvolve no macaco, sendo o contágio dos seres humanos acidental, nas cidades o surto seria pelo Aedes aegypti, o mesmo que transmite a dengue, e o homem seria o hospedeiro preferencial.
Boulos concorda com o Ministro da Saúde, que diz não haver chance de uma epidemia do vírus. "A disseminação da febre amarela nas cidades é uma possibilidade remota porque a cobertura vacinal é muito extensa", adverte.
A vacina, segundo o médico, é constituída de vírus atenuados, sendo possível, portanto, que as pessoas que se vacinam apresentem os sintomas da doença nos primeiros oito dias depois da imunização.
"Após este período, o vacinado está livre por dez anos", conclui.

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