sábado, 10 de novembro de 2007

Ali Kamel teria tentado beneficiar Editora Moderna

O ataque de Ali Kamel ao livro da Geração Editorial, Nova História Crítica, o campeão de vendagem na disciplina, pode ter sido motivada pelo interesse da Editora Moderna em abocanhar o principal produto de uma das poucas editoras de capital totalmente nacional.Num artigo seguinte, no Globo, Ali Kamel também "critica" uma suposta propaganda petista do Fome Zero (a edição é de 2003, ano do lançamento do programa), que estaria no campeão de vendagem da editora Moderna (Grupo espanhol Santillana) no que "prontamente" a Editora Moderna "admitiu" o erro, alertando que "já havia corrigido o problema" nas edições posteriores.

Ou seja: a "falsa denúncia" de Kamel contra o livro da editora Moderna teria servido para despistar o bombardeio contra o correspondente de mercado da Editora Geração.

Para se ter uma idéia do poder do Grupo Santillana, dono da Moderna, ele domina todo o mercado de livros didáticos da Espanha e de Portugal. E investe fortemente no mercado brasileiro e latinoamericano.

O Brasil que já chegou a ter 500 editoras para livros didáticos, agora só tem 12. A Geração Editorial resiste. Mas a concentração pode levar ao domínio total das editoras internacionais.

O MEC é o maior comprador de livros didáticos do mundo, um negócio de 720 milhões de reais, e o sucesso da Geração poderia estar incomodando, por isso.

A Editorial Santillana é o braço editorial do poderoso grupo Prisa, pertencente a Jesus de Polanco, também dono do El Pais, cadeias de rádio, televisão no mundo iberoamericano.

O EL Pais publicou artigo ressoando a polêmica no Brasil. Numa questão eminentemente doméstica, foi o único jornal estrangeiro a repercutir o caso.

O mega-empresário também é parceiro da Telefônica e do grupo Santander.

Outro a repercutir o caso foi o ex ministro da Educação, Paulo Renato de Souza, consultor da Santillana. A relação de Paulo Renato com a Santillana é tão forte, que a sua "braço direito" no MEC, Mônica Messemberg, é hoje diretora  de "assuntos institucionais",  junto a governos e prefeituras, no Brasil.

Mas se as ligações entre Paulo Renato e a editora Moderna (grupo Santillana) são claras, falta esclarecer qual o propósito de Ali Kamel atacar a concorrente Geração Editorial.

A única pista pode ser a íntima relação entre Kamel e Paulo Renato. Uma espécie de apoio estratégico. Mas seria só isso?

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