sábado, 10 de novembro de 2007

Jabor: só uma brincadeira..rsrs

(Texto de 2006)


Arnaldo Jabor para nosso Guru


Dotado de Sublime e Eterna Lucidez, capaz de nos encaminhar para um mundo melhor, vós fostes, fascinante Arnaldo Jabor, escolhido o Guru dos Novos Tempos. A votação se deu em meio ao único grupo humano que importa para a Humanidade, a Boa Classe Média.

Sim, da Boa Classe Média, porque precisávamos higienizar a eleição de massas ignorantes e intelectuais esquerdistas e fetichistas, como bem vós os denominastes no artigo, quer dizer, na matéria prima do dia  08 de agosto

Sim, da Boa Classe Média. Não da classe média que lê Drummond, Lispector, Guimarães Rosa, que ouve Chico Buarque, Pinxinguinha, Mozart. Não da classe média que discute textos de Raymond Aron, mas também de Gramsci e Michel Foucault.

Não da classe média que segue perdida pelos subúrbios em busca da quadra da Portela, da Mangueira, e que tem um nojo injustificável de racismo, de preconceitos de qualquer natureza.

Não da classe média que não acha que o morro é o inferno pelo simples de ser habitado por uma corja satânica.

Não da classe média que é capaz de discutir e aceitar o contraditório.

Somos da Boa Classe Média, porque não queremos ver mais nossas Suzanes Richthofens serem levadas ao Mal por irmãos Cravinhos, como disse na maravilhosa crônica do dia 21/07.

Somos da Boa Classe Média porque não queremos ver nossas filhas cair na mãos de suburbanos e funkeiros.

Somos da Boa Classe Média porque achamos, como Condolezza Rice (embora preta), que a força bruta é um meio justificável para aplacar a desrazão de latinos insubmissos, palestinos revoltados e iraquianos rebeldes. E que a dor desses povos é apenas a dor do parto de um mundo melhor.

Porque nesse mundo cada um deve saber o seu lugar. E nós sabemos o nosso. O melhor lugar.

Sabedoria extrema, oh Amado Arnaldo Jabor. Feliz decisão quando trocastes o vosso nome de Arnaldo Borja, que lembrava algo muito ibérico, por algo mais próximo do francês.

Mas vos aconselhamos, para finalmente vos eternizardes como nosso guru, que agora vos auto pronuncieis Arnald Jêibor, visto que cultura francesa lembra palavras tolas como igualdade ou fraternidade.

Vós que falastes dos caminhos para os intelectuais de esquerda (esses adoradores e eleitores de nordestinos, como Lula, Cristóvam e Helóisa Helena), das sutis diferenças entre o amor e o sexo (coitado de Freud!), das avaliações de esquemas táticos de esportes radicais, da política internacional de protetorados,  da criação de golfinhos, do terceiro livro da juventude de Tio Patinhas, das formas de cumprimento de costas, de ponto em cruz, da constituição geológica do calçadão de Copacabana e, ultimamente, da teoria dos modelos matemáticos aplicada à constituição do malte, deveis ser agraciado com uma estátua ali no lugar onde podereis ser para sempre adorado: no New York City Center, segurando uma tocha.

Ass. A Boa Classe Média.


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