terça-feira, 17 de junho de 2008

Dicionário vai ganhando novo vocábulo: nardonismo.


Comentário: Perita diz que alguém revirou material no apartamento. E afirma que a versão de que o pai jogou a criança da janela, na posição já divulgada pela imprensa, sem apoio e sem ferir os braços, é surreal.

O casal pode ser culpado, lógico. Mas a falta de pluralidade na cobertura (nesse caso a busca por outras versões do crime) foi a marca maior da condução da imprensa.

Nardonismo portanto seria o linchamento público e espetacularizado cometido pela imprensa, sem considerar outras versões possíveis e sem oferecer aos acusados o mesmo espaço para defesa. Uma das marcas do nardonismo é a compreensão de que há um fato consumado nas primeiras horas da investigação policial, o que muitas vezes induz os investigadores a narrativizar não o que vêem na realidade, mas o que está estabelecido no roteiro da mídia.


DO G1

Caso Isabella: cobertura completa

Acompanhada do legista George Sanguinetti, dos advogados do casal e até de um "dublê" de Alexandre Nardoni, Delma Gama afirmou que tirou fotos, filmou e gravou considerações sobre o que viu no local por cerca de seis horas. Os trabalhos se encerraram por volta das 15h30.

"Foi uma visita de observação. Fomos buscar vestígios. Eu tinha formulado uma teoria a respeito do crime e eu precisa ir até o local para que esta teoria ganhasse corpo. E foi o que aconteceu. Com a visita ao local, a teoria foi reforçada, ganhou uma outra dimensão.


O nosso trabalho é desconstruir o laudo, mostrando vertentes de investigações que forma deixadas de lado", disse.

Segundo ela, a teoria à qual se refere deverá ser relatada em parecer que será entregue aos advogados do casal Nardoni, para auxiliar na linha de defesa. Para a conclusão deste parecer, faltariam apenas "alguns detalhes" para formular a motivação do crime. "O local apresenta sinais de uma busca. Essa busca pode ter sido por algo que incriminasse alguém, como uma correspondência, um e-mail, e não necessariamente um objeto específico", explicou.

Delma Gama apontou alguns destes vestígios que teriam sido desconsiderados pela perícia durante a investigação. "Havia (no apartamento) um desalinho diferente do habitual. No laudo, disseram apenas que eles viviam no lixo. Mas havia uma mistura de livros, cartas com roupas íntimas, coisas caídas, tiradas do armário. Alguém estava buscando alguma coisa. Isso foi desprezado pela perícia", disse.

 Manobra surreal
 Com as simulações feitas no local, a perita convenceu-se de que Isabella teria mesmo sido jogada de cabeça para baixo, tese que defendeu em sua primeira entrevista depois de analisar os laudos do inquérito.

"Isso ficou claro. Toda aquela manobra (executada por Alexandre Nardoni ao jogar o corpo da filha pela grade da janela do quarto) descrita pela perícia é surreal. Ele não agüentaria cinco segundos segurando o corpo dela, pois a parte interna do peitoril da janela não é lisa, tem canaletas que machucariam e deixariam marcas no braço dele. E ele não apresentava estas marcas no braço no dia", afirmou.

Ela criticou os peritos do IC, que não teriam feito a coleta de impressões digitais no apartamento. "Eu nunca vi em 28 anos de perícia não se fazer um levantamento de impressões digitais." Apesar de já terem se passado mais de 70 dias desde o crime, a perita disse que ainda foi possível coletar algumas digitais e que estas "vão ser estudadas".

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