terça-feira, 17 de junho de 2008

Folha faz melhor cobertura do caso Alstom na gestão Alckmin.


Comentário: As denúncias envolvendo o governo Alckmin de que teria beneficiado a Alstom (metrô e Eletropaulo), num processo que partiu da justiça suíça (onde empresários disseram ter pago propina à cúpula do governo) passam por duas formas de cobertura bem distintas.

De um lado, o Estadão e as organizações Globo dão o mínimo de cobertura possível. Já a Folha faz uma cobertura cotidiana do caso, somada a duas virtudes raras no jornalismo atual: "não escandaliza" o caso e nem faz pre-julgamentos, deixando que a justiça percorra o seu caminho.

Há críticas - inclusive do ombudsman - em relação à sua falta de escuta do ex-governador envolvido. Mas diante da moderação, isso é o de menos.


No governo de SP, ex-diretor da Alstom dispensa licitação

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da Folha Online

Hoje na Folha Um ex-diretor da empresa francesa Alstom, o engenheiro eletricista José Sidnei Colombo Martini, tornou-se presidente em 1999 de uma companhia do governo de São Paulo, a EPTE (Empresa Paulista de Transmissão de Energia), e dois anos depois firmou negócio adicional com a Alstom de R$ 4,82 milhões sem concorrência, informa nesta sexta-feira reportagem de Mario Cesar Carvalho e José Ernesto Credendio, publicada pela Folha (a íntegra da reportagem está disponível para assinantes do UOL e do jornal).


Martini foi indicado ao posto pelo secretário de Energia de Alckmin, Mauro Arce, que hoje integra o governo Serra.


Martini autorizou a EPTE a pagar R$ 4,82 milhões a mais à Alstom para que ela acondicionasse e armazenasse seis transformadores de 120 toneladas cada um, devido a um atraso nas obras civis de uma subestação no Cambuci, na região central de São Paulo.


Os transformadores haviam sido comprados pela EPTE por R$ 110 milhões.

Dois especialistas em licitações ouvidos pela Folha, sob a condição de que seus nomes não fossem citados, disseram estranhar que um contrato de R$ 110 milhões não contemplasse o possível atraso.


A EPTE surgiu de uma cisão do patrimônio da Eletropaulo, privatizada em 1998. Em 2001, a EPTE foi incorporada pela Cteep (Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista). Martini, que havia saído da Alstom em 1999, assumiu nesse processo a presidência da Cteep. Em 2006, a Cteep foi vendida pelo governo paulista por R$ 1,19 bilhão para o grupo colombiano Interconexión Elétrica S.A.


Martini continua presidindo a empresa, rebatizada com o nome de Transmissão Paulista. O lucro da Cteep em 2007 foi de 630%.


Em nota, a empresa diz que o contrato com a Alstom foi aprovado pelo Tribunal de Contas do Estado. De acordo com a nota, a Eletropaulo assinou o contrato com a Alstom em 1983 para o projeto Gisel.


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