domingo, 15 de junho de 2008

Educação em SP: Xingu no Rio Grande do Sul.


Comentários: numa iniciativa inovadora, o governo estadual de SP entregou à Editora Abril a responsabilidade para a produção dos apostilados do ensino público paulista. Os resultados já começaram a aparecer.


Da revista Fórum.

A Secretaria de Educação do Estado de São Paulo distribuiu apostilas para os professores da rede pública de ensino com um erro de português. No caderno de dicas entregue aos docentes de inglês da 8ª série a palavra ensino está grafada "encino".

Segundo o professor Carlos Ramiro de Castro, presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), o sindicato ainda não terminou de fazer a revisão em todos os livros entregues para serem usados no segundo semestre, mas esta não é a primeira vez que isso acontece.

"Os livros são entregues aos professores sem nenhuma revisão. No início do ano os professores constataram outros erros. Um deles dizia que o rio Xingu estava no Rio Grande do Sul", disse.

Castro disse ainda que os livros e apostilas são impostos pelo governo e as obras não passam pela aprovação dos professores da rede. "Os livros têm revisão superficial. Eu acho que o Estado tem que recolher o material entregue para corrigir e imprimir novamente", avaliou o professor.

A Secretaria de Educação informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o erro foi constatado pela própria secretaria, que alertou os professores. Segundo a assessoria, o erro existe apenas na página 11 dos livros dos professores de inglês da 8ª série e é um problema de digitação, já que a mesma palavra está escrita quatro vezes no mesmo livro de maneira correta.

Além disso, a assessoria informou que os alunos não têm acesso a este material e que a Secretaria tem 76 tipos de apostilas, em que estão grafadas mais de 350 vezes a palavra ensino corretamente. Por isso, os livros não serão recolhidos.


Apostilas

No atual ano letivo, as escolas estaduais de São Paulo começam a adotar um material didático em forma de apostila para orientar professores sobre como proceder e quais conteúdos abordar em sala de aula. Essa é a primeira vez que a rede, com 200 mil professores e 5 mil escolas, tem um material único de proposta curricular para 5ª a 8ª séries e ensino médio.

Os livros elaborados pelo governo funcionam como guias - detalham o que deve ser feito aula a aula, indicam as habilidades dos alunos que precisam ser trabalhadas e propõem avaliações. Segundo o sindicato dos professores do Estado de São Paulo (Apeoesp), o o formato massifica a maneira de ensinar. 'Esse material tira o direito do professor de conduzir sua aula', diz Carlos Ramiro, presidente da Apeoesp. Para ele, a proposta curricular é apresentada como 'apostilas usadas em sistemas de ensino particular', numa forma de padronização do ensino.


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