sexta-feira, 28 de março de 2008

Wacquant: "O Estado Penal vai substituindo o Estado Social"


Aí Flávio Nehrer e Cia, artigo bom para discussão...Está na rede.

Comentário: Interessante artigo de Loic Wacquant sobre A tentação Penal na Europa, depois que os Estados Unidos optaram, a partir da era Reagan, pela substituição do Estado de Bem Estar, perseguido até o final dos anos 70, pelo Estado unicamente como aparelho repressor e punitivo.

O autor ilustra como a Europa aderiu a essa culpabilização da pobreza. O artigo é ótimo para pensar o Brasil: onde a morte e a pena historicamente são pensadas antes das questões sociais (principalmente contra negros, indígenas e nordestinos).

Nos Estados Unidos por exemplo as maiores vítimas também foram os negros. E mais recentemente os latinos.

Até o final dos anos 70, a guetificação era sinônimo de fortalecimento, mas houve um abandono sistemático dos projetos sociais voltados para essa população, desde a perda da inclusão universitária até a degradação da assistência pública.

A proposta é simples: sufoca pela miséria, se o bicho gritar atira. E estamos falando de Europa e EUA.

_______________________________________________________

Loic Wacquant

"Após a mudança política e racial que Ronald Reagan trouxe à Casa Branca nos anos 70, os Estados Unidos se lançaram em uma experiência sem precedentes nem paralelo nas sociedades modernas: a substituição de um (semi) Estado de bem-estar por um Estado penal e policial onde a criminalização da miséria e o enclausuramente das categorias marginalizadas tomam o lugar da política social.

O exame dessa experiência há de permitir observar, em suas reais dimensões, como ocorre a regressão do estado social para o Estado penal, num caso particularmente visível devido a sua força de atração ideológica, e também ajudar a discernir melhor o que a trajetória recente os EUA podem dever a esta regressão.

Pois, da economia à política, pasando pela cultura e pela mídia, não há um setor na vida social americana que não seja hoje afetado pelo desenvolvimento excessivo da instituição carcerária.

Com efeito, se a ascensão do Estado penal é especialmente espetacular e brutal nos EUA, sente-se em toda a Euorapa a tentação de se buscar apoio nas instituções carcerárias para minimizar os efeitos de insegurança social gerada pela imposição do salário precário e pelo proporcional estreitamento da proteção social".

Nenhum comentário: