segunda-feira, 3 de março de 2008

Guinada de Lula à direita fortaleceu a economia

Comentário: Se, por um lado, as políticas sociais baseadas na idéia do nobel de economia indiano Amartia Sen e de Jeffrey Sachs (política de renda mínima associada à distribuição de alimentos) marcam a posição de esquerda* do governo, além da suspensão do mote neoliberal das privatizações em massa, foi justamente uma guinada à direita do Governo Lula que permitiu a confiabilidade externa, a consecução de superávits primários, e ajustes macroeconômicos que retiraram  o país da  situação de fragilidade internacional que se encontrava  até 2002.

Em plena crise internacional, o Brasil pode conseguir o tão sonhado "investment grade", que atrai investimentos de qualidade (montantes elevados, de credores confiáveis, e a longo prazo)

Pois que sempre foi uma bandeira de esquerda descumprir os acordos internacionais e afrontar as grandes economias (ver a retórica do PSTU).
O que resta talvez da posição de esquerda em política internacional é a atenção maior aos mercados até então ignorados (Ásia, América Latina e Àfrica) pelos governos anteriores, e os acordos Sul-Sul.

O que foi visto no início do governo como Anti Americanismo: a redução da dependência em relação à economia americana de 50 para 20%, que nos livrou de ir para a lama junto à crise dos financiamentos imobiliários do irmão do norte.

(*) Na verdade, os dois pensadores alinham-se ao que se chama de social-liberalismo.


Brasil, pela primeira vez, passa a ser credor externo


A soma dos ativos brasileiros no exterior (constituídos fundamentalmente pelas reservas internacionais) superou o valor da dívida externa do país, pela primeira vez em sua história. Segundo o relatório Focus, do Banco Central, em 2003, a dívida superava os ativos em US$ 165,2 bilhões. Em 2007, essa diferença, por estimativa, cai para US$ 4,3 bilhões. E, em janeiro deste ano, a posição se inverte e são os ativos que superam a dívida externa em mais de US$ 4 bilhões.

O resultado obtido decorre das políticas macroeconômicas adotadas e  da liquidez internacional que permitiu o ingresso de divisas no País. O relatório destaca ainda o bom desempenho das empresas exportadoras e os resultados recordes da balança comercial como fatores cruciais para a melhora na posição internacional do País.

As reservas internacionais tiveram "evolução sem precedentes" nos últimos anos, de acordo com o relatório. Subiram de US$ 16,3 bilhões, em 2002, para US$ 180,3 bilhões, no final de 2007. Apenas no ano passado, cresceu 110%.

Os ingressos de capitais também foram recordes. Alcançaram a cifra de US$ 88,2 bilhões em 2007. Na avaliação do Banco Central, esses ingressos foram bem distribuídos entre Investimentos Estrangeiros  Diretos (IED), em carteira e outros. Os ingressos líquidos de IED atingiram o maior montante da série histórica, US$ 34,6 bilhões, mais que o dobro dos valores observados em 2002. Já os investimentos estrangeiros em carteira foram conseguidos graças ao desenvolvimento do mercado acionário brasileiro, o reforço das regras de governança corporativa e o estímulo à capitalização acionária por meio de ofertas públicas de ações.

Os dólares vindos dos investimentos e dos superávits (obtidos desde 2003) permitiram ao Brasil acumular reservas e também reduzir o montante da dívida. Em 2005, por exemplo, o governo brasileiro liquidou seu passivo com o FMI (Fundo Monetário Internacional).

Declarações - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, em declarações à imprensa, disse que essa mudança de devedor a credor pode levar o país ao grau de investimento (o investment grade é a classificação dada por agências de risco aos países considerados mais seguros para investir) ainda este ano e que esses bons indicadores tornam o país mais resistente às crises externas.

A análise é semelhante à do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que afirmou, em nota, que "este feito é resultado direto da implementação, nos últimos anos, de políticas macroeconômicas responsáveis e consistentes, baseadas no tripé responsabilidade fiscal, câmbio flutuante e metas para a inflação. Esse tripé tem assegurado uma melhora gradativa dos nossos fundamentos fiscais e externos, o que aumenta a resistência da economia a choques adversos".

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