segunda-feira, 3 de março de 2008

Jobim: uma lição no jornalismo tapioca

Comentário: Como não deu para emplacar uma crise da febre amarela, a Folha de SP agora se volta para "a crise das diárias", "das tapiocas", "dos cartões corporativos", "das corridas de taxi", etc.

Como se sabe o país está pensando em reformular o seu parque industrial militar. Com isso, o ministro Jobim está visitando alguns países, como a França (recebido pelo próprio Sarkozy) e agora na Rússia.

São visitas protocolares e de avaliação de ofertas. O repórter da Folha não falou de estratégias, não falou de investimentos, não falou das necessidades do país. Foi à Rússia, xeretar....diárias.

Isso mesmo. O repórter perdeu tempo indo aos balcões dos hotéis perguntando quanto Nelson Jobim gastou com hotel, comidinha, se o governo russo pagou, não pagou, etc. Isso não é sério. Não pode ser sério.

Mas nenhuma linha sobre a tecnologia russa de defesa. Nem sobre a tecnologia francesa. È mole?

A entrevista
A entrevista do repórter Rubens Valente com o Ministro Jobim:
"Não é nenhum lobby russo, é convite do ministro", diz Jobim

DO ENVIADO A SÃO PETERSBURGO


FOLHA - A empresa Rosoboronexport [que oferece produtos militares ao Ministério da Defesa] é uma estatal, mantida pelo governo russo. Percebo que toda a viagem aqui é organizada pelos russos, transporte aéreo, hospedagem, eventuais almoços, jantares. Como o sr. vê esse lobby russo em relação ao Ministério da Defesa?
NELSON JOBIM - Não é nenhum lobby russo, isso é convite do ministro da Defesa. O ministro nos convidou, viemos a convite deles, exclusivamente nesse sentido. Nós fazemos a mesma coisa. Quando os russos vão ao Brasil, nós fazemos todo esse atendimento, isso é normal, absolutamente normal. Não há nenhuma relação de que, com isso, estariam comprando decisões, absolutamente. Há uma viagem, a convite do governo russo, em que ele se dispõe a nos ofer... a nos mostrar coisas. Então estamos aí, examinando.

FOLHA - E quanto ao jantar com a Dassault, que também é eventual fornecedora de equipamentos? O sr. acha natural?
JOBIM - Absolutamente natural. Ou a Folha de S.Paulo não janta com os outros jornais, com os fornecedores de papéis de vocês?

FOLHA - Eu não sei responder pelo jornal. Mas é uma empresa privada.
JOBIM - Não tem problema nenhum, absolutamente. Você veja que a perspectiva de sua pergunta mostra, digamos, a distorção da visão que está tendo o jornal, a imprensa brasileira, com as necessidades do Brasil. Nós temos que pensar grande, não podemos pensar pequeno.

FOLHA - A pergunta é minha, como repórter.
JOBIM - Estou dizendo que a sua pergunta mostra claramente que a posição de vocês é pensar pequeno. No Brasil acabou essa história. Temos que pensar grande, no desenvolvimento do país.


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