Há que não se perder a vigília, nem no último dia do ano.
rsrs
Bom 2008 para todos.
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Comentário: Algumas pessoas confundem "imprensa crítica" com "imprensa oposicionista".
E esquecem que "imprensa crítica" não pode ser alinhada.
Quando ela se alinha à oposição, ela se transforma em imprensa chapa branca da oposição, cometendo os mesmos equívocos da chapa branca do outro lado (a governista).
A Folha se diz crítica, mas infelizmente ela é no máximo oposicionista (o que, no caso particular de SP, significa ser também governista).
Quando a "crise" da saúde tem a ver com Governo Federal, ela dedica uma ampla e aprofundada cobertura.
Faz bem.
Agora quando o problema é do governo do Estado de SP ela alivia, e comete erros grosseiros (como o denunciado pelo Mário Magalhães, o ombudsman do próprio jornal).
Faz mal.
O HC é ONG?
MÁRIO MAGALHÃES
ombudsman@uol.com.br
"A pergunta, em tom irônico, foi feita hoje por leitor em mensagem ao ombudsman.
Depois do título em uma única coluna na primeira página de ontem para o incêndio no Hospital das Clínicas, o jornal promove hoje o assunto a manchete: "HC adiou obra em central que pegou fogo".
Se conta histórias das pessoas prejudicadas pelo baque no atendimento, a cobertura praticamente omite os vínculos do HC com o Estado de São Paulo.
Não se trata de produzir investigações jornalísticas com cacoetes inquisitoriais, mas, no mínimo, de indagar as autoridades, ainda que o hospital tenha autonomia de gestão.
Nem na primeira página nem em nenhuma das três páginas internas, incluindo a capa de Cotidiano, dedicadas ao episódio a Folha destaca os vínculos do HC com a administração estadual".
O máximo que se lê, no último parágrafo de um texto: "No dia 25, a direção do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, que está sob alçada da Secretaria de Estado da Saúde, informou que nenhum paciente havia morrido durante o incêndio".
A Folha não traz declarações do secretário Barradas Barata, a não ser nos votos de Boas-festas no Painel do Leitor. Nem do governador Serra. Aparentemente, nem foram procurados para se pronunciar sobre a situação do hospital. Eles não são acusados de nada, o governador correu ao local quando soube do fogo, mas é dever do jornal cobrar a palavra deles.
Chama atenção o fato de a Folha não ter tomado nem a providência mais elementar, consagrada pelo próprio jornal, de investigar as despesas públicas. O principal concorrente local fez isso, e obteve a manchete "Estado só gastou 17,8% da verba para obras no HC".
E acrescentou na linha-fina: "Desde 2005 a Prefeitura pede melhorias no prédio que pegou fogo segunda-feira" _outra informação não encontrada na Folha.
Se a Folha descobriu que houve adiamento em reforma elétrica, repetiu insistentemente que o motivo foi "questão burocrática", aceitando um argumento que pode ser correto ou não.
A Folha preconiza, não custa lembrar, um jornalismo crítico.
__Obs. Esse "alívio" é sistemático.
Obs. 2. Se o ombudsman analisar a cobertura da Globo sobre o caso, iria ficar mais desesperado ainda.
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