segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Ombudsman mostra alinhamento da Folha

Há que não se perder a vigília, nem no último dia do ano.


rsrs

Bom 2008 para todos.

____________

Comentário: Algumas pessoas confundem "imprensa crítica" com "imprensa oposicionista".


E esquecem que "imprensa crítica" não pode ser alinhada.

Quando ela se alinha à oposição, ela se transforma em imprensa chapa branca da oposição, cometendo os mesmos equívocos da chapa branca do outro lado (a governista).

A Folha se diz crítica, mas infelizmente ela é no máximo oposicionista (o que, no caso particular de SP, significa ser também governista).

Quando a "crise" da saúde tem a ver com Governo Federal, ela dedica uma ampla e aprofundada cobertura.

Faz bem.


Agora quando o problema é do governo do Estado de SP ela alivia, e comete erros grosseiros (como o denunciado pelo Mário Magalhães, o ombudsman do próprio jornal).

Faz mal.

O HC é ONG?

MÁRIO MAGALHÃES
ombudsman@uol.com.br

"A pergunta, em tom irônico, foi feita hoje por leitor em mensagem ao ombudsman.

Depois do título em uma única coluna na primeira página de ontem para o incêndio no Hospital das Clínicas, o jornal promove hoje o assunto a manchete: "HC adiou obra em central que pegou fogo".

Se conta histórias das pessoas prejudicadas pelo baque no atendimento, a cobertura praticamente omite os vínculos do HC com o Estado de São Paulo.

Não se trata de produzir investigações jornalísticas com cacoetes inquisitoriais, mas, no mínimo, de indagar as autoridades, ainda que o hospital tenha autonomia de gestão.

Nem na primeira página nem em nenhuma das três páginas internas, incluindo a capa de Cotidiano, dedicadas ao episódio a Folha destaca os vínculos do HC com a administração estadual".

O máximo que se lê, no último parágrafo de um texto: "No dia 25, a direção do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, que está sob alçada da Secretaria de Estado da Saúde, informou que nenhum paciente havia morrido durante o incêndio".
A Folha não traz declarações do secretário Barradas Barata, a não ser nos votos de Boas-festas no Painel do Leitor. Nem do governador Serra. Aparentemente, nem foram procurados para se pronunciar sobre a situação do hospital. Eles não são acusados de nada, o governador correu ao local quando soube do fogo, mas é dever do jornal cobrar a palavra deles.
Chama atenção o fato de a Folha não ter tomado nem a providência mais elementar, consagrada pelo próprio jornal, de investigar as despesas públicas. O principal concorrente local fez isso, e obteve a manchete "Estado só gastou 17,8% da verba para obras no HC".
E acrescentou na linha-fina: "Desde 2005 a Prefeitura pede melhorias no prédio que pegou fogo segunda-feira" _outra informação não encontrada na Folha.
Se a Folha descobriu que houve adiamento em reforma elétrica, repetiu insistentemente que o motivo foi "questão burocrática", aceitando um argumento que pode ser correto ou não.
A Folha preconiza, não custa lembrar, um jornalismo crítico.
__

Obs. Esse "alívio" é sistemático.
Obs. 2. Se o ombudsman analisar a cobertura da Globo sobre o caso, iria ficar mais desesperado ainda.

Nenhum comentário: