FHC tentou desfazer-se de Lula, e acabou mostrando que também tem problemas de gramática (usou "melhor educado" e não "mais bem educado").
Mas não é só o problema da concordância nominal que atrapalha FHC (e comum ele "cometer esse erro", que em espécie não é "menos grave" do que se atrapalhar em concordância verbal.)
O léxico pernóstico também provoca problemas sérios.
Moral da estória: não corrija, se não domina.
Era melhor, como os lingüistas, aprender que todos os nativos sabem a língua, embora nem sempre, como o próprio FHC, tenham domínio completo da gramática.
O leguleio de FHC
Luis Nassif.
Sabe o mais engraçado na manifestação de Fernando Henrique Cardoso sobre Lula? É que todo mundo se apegou ao "mais bem" (já nem sei mais o que era), e não se deu conta de que ele caprichou no "leguleio", mas utilizou a palavra de forma errada.
Olha o que ele disse:
"É preciso que o presidente Lula aja com menos leguleios ao companheiro da Venezuela. Espero que diga com clareza: eu sou contra. Até porque ele foi contra a reeleição em 1997."
Segundo o Houaiss, leguleio significa:
"1 aquele que observa rigorosamente as formalidades legais, interpretando a lei sem atentar para o espírito que a norteia; profissional formalista
2 (1899)Derivação: sentido figurado.
advogado que se vale de meios para confundir uma questão ou protelar o andamento das causas; chicaneiro, rábula"
Ou seja, a frase de FHC deveria ser: "É preciso que o presidente Lula não aja como um leguleio...." Mas certamente ele não conhece o significado da palavra, e a utilizou como "conversa mole", ou "embromação", ou "volteios". Quis sofisticar o termo, e se enrolou.
Conheço bem o termo porque, na discussão da Lei das Sociedades Anônimas, em início de carreira, entrevistei o advogado Fábio Konder Comparato, que se referiu a um advogado da Comissão Nacional de Bolsas de Valores como um "leguleio". Publiquei o termo, ele mandou uma carta à Veja desmentindo que tivesse dito isso.
Fiquei em situação difícil: a palavra de um repórter iniciante contra a de um comercialista consagrado. O secretário de redação Sérgio Pompeu acreditou em mim por dois motivos. Primeiro, porque lhe dei minha palavra de que Comparato havia dito isso sim. Segundo, porque até então nunca tinha ouvido a expressão. Tanto que grafei como lego-leio. Fui salvo pela ignorância.
domingo, 2 de dezembro de 2007
Fwd: Gramática, léxico e pouca lingüística
Marcadores: Papo Cabeça
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